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CONSIDERAÇÕES SOBRE A PEREGRINATIO AETHERIAE

“vulgares”. Porém, continuaram na comunicação oral e podem estar atestados nas línguas românicas.

Seria, portanto, absurdo imaginar que os tratadistas queiram dizer que a “Peregrinatio Aetheriae” reproduza a língua popular. A inclusão dessa obra entre as ditas fontes se justifica pelo número apreciável de formas da língua corrente ali atestadas.

Mas é também certíssimo que esse texto apresenta, e bem mais numerosos, exemplos de um latim cuidado, por vezes até construções de certo requinte literário, denunciadores de boa formação escolar, na linha daquele padrão lingüístico ideal que se impôs em toda a latinidade.

Têm, pois, todo cabimento as críticas transcritas no capítulo anterior, de Väänänen e Diaz y Diaz a uma opinião, muito generalizada, que considera o texto eteriano um dos mais característicos do latim vulgar.

Ainda mais peremptório é o nosso ilustre romanista Theodoro Maurer em O Problema do Latim Vulgar:

um exame da Peregrinatio ad loca sancta dará exatamente o mesmo resultado [que o de Petrônio]. Temos ali, em boa parte, um vocabulário desconhecido do romance; a gramática, apesar de numerosos senões, não é popular, encontrando-se ainda as formas da conjugação depoente e passiva, tempos do indicativo e do subjuntivo já perdidos na língua vulgar (se o futuro é excepcional, isto se explica por serem raras as ocasiões de empregá-lo), formas nominais variadas etc. Um fato que denuncia eloqüentemente o caráter escolar e, muitas vezes, “artificial” da linguagem desta obra é o emprego das formas

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