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CONSIDERAÇÕES SOBRE A PEREGRINATIO AETHERIAE

vulgarizante do latim dos cristãos. Aliás, a aceitação de novas formas do latim cristão a nosso ver se deve explicar, também, pelo fato de que tais formas, criadas sem violentar as tendências da língua comum, não deveriam chocar a consciência lingüística dos falantes. Quando já está constituída uma literatura cristã; quando por volta do IV século já é possível falar num usus loquendi ecclesiasticus ou numa ecclesiastica loquendi consuetudo, a oposição clássico/vulgar está novamente em questão: o latim culto da correspondência de S. Cipriano e o latim vulgar dos sermões de S. Agostinho; o estilo multum obscurus de Tertuliano e o estilo claro, persuasivo de S. Cipriano, mas somente inteligível para os fiéis (ibidem, p. 20); no mesmo S. Agostinho, a língua da pregação ao alcance de todos, e a língua requintada do De Civitate Dei; o caráter popular dos antigos textos bíblicos e a versão mais cuidada da Vulgata.

4. A respeito de latim vulgar digamos logo que não pretendemos discutir a propriedade ou impropriedade da denominação. Inadequada, equívoca, errônea, ela está, porém, consagrada, apesar das já surradas críticas: Vulgärlatein, vulgar latin, latin vulgaire, latín vulgar, latino volgare. Outras denominações – latim coloquial, familiar, usual, corrente, cotidiano, da conversação; ou, à latina, sermo plebeius, vulgaris, usualis, cotidianus – não conseguiram quebrar a resistência dessa denominação que herdamos dos antigos retóricos e gramáticos por via dos lingüistas do século XIX.

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