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CONSIDERAÇÕES SOBRE A PEREGRINATIO AETHERIAE

assumirem sempre um tom formal que a tradição literária impunha, não nos permitem recolher senão fragmentos do que teria sido a língua oral. O prestígio dos chamados bons autores e o ensino escolar que enfatizava a imitação desses modelos tornaram a língua escrita – ressalvadas as peculiaridades individuais – muito uniforme, como se verá adiante. É, pois, impossível fazer uma idéia de todas as variantes sincrônicas, cronologicamente simultâneas, observáveis num mesmo plano temporal” (Carvalho, 1967, I, p. 316), do latim de qualquer período.

A precariedade dos elementos colhidos na tradição escrita levou os romanistas à valorização de um processo indireto de conhecimento do latim vulgar, a reconstituição, partindo da comparação das línguas românicas. A esses dois modos de ver o latim vulgar – como a língua viva que se pode recolher dos textos, embora fragmentariamente, ou como um conjunto de reconstruções que formam a base comum das línguas românicas – costumam os alemães chamar Umgansprache e Ursprache, respectivamente.

Outra conclusão, nem sempre claramente exposta em certas obras, é que não se deve entender o latim vulgar como uma língua falada com uniformidade em todo o período latino e em todo o império romano; também, as formas vulgares, colhidas nos textos ou reconstituídas, não “se integram numa entidade lingüística homogênea, idioma ou língua com existência real e individualidade própria” (Carvalho, 1960-61, p. 61).

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