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CONSIDERAÇÕES SOBRE A PEREGRINATIO AETHERIAE

atestados dos autores latinos. Ali está claríssima a distinção entre um sermo urbanus e sermones rustici e peregrini. O primeiro é a língua da urbs, de Roma, vale dizer o latim das pessoas cultas, que na estrutura político-social constituíam a aristocracia. O sermo rusticus é a língua dos camponeses e aldeões sem instrução que viviam na zona rural em torno de Roma, e em cuja fala se percebiam logo traços fonéticos típicos da rustica vox et agrestis: mesium por maesium, plostrum por plaustrum, speca por spica, preferência por /u/ (forma nimis rusticana) a /i/ (forma elegantior) nas condições em que essas vogais no interior do vocábulo ofereciam as variantes /u/ /i/ (lacubus/lacibus) etc...

O sermo peregrinus é o falar de outras províncias, de traços fonéticos facilmente perceptíveis, mas cuja maior contribuição se manifesta no vocabulário: em Lanúvio se diz mane por bonum; em Preneste, conea por ciconia; em Mársio herna (hernae) por saxa.

6.1 Ora, na complexa estrutura social da transição da República para o Império baseada na riqueza há, em linhas gerais, uma aristocracia privilegiada, reduzida, e uma imensa população constituída pelas classes populares, pelos pequenos proprietários rurais, por clientes e escravos. Então, quando os romanos identificam o falar das pessoas do campo e o distinguem do latim urbano, penso que a oposição cidade/campo deve ser entendida fundamentalmente em termos

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