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CONSIDERAÇÕES SOBRE A PEREGRINATIO AETHERIAE

6.2 Elementos também chocantes para o homem culto da urbs e contra os quais era preciso preservar “o bom uso” da língua de Roma são os que vêm do exterior, das províncias, aos quais Quintiliano chama peregrina et externa (Quint., Inst. Orat., VIII, 1,2) (Marouzeau, 1949, p. 10).

Peregrinismos e rusticismos merecem de Cícero e Quintiliano igual tratamento em face da norma culta urbana:

Non solum rusticam asperitatem, sed etiam peregrinam insolentiam fugere discamus (Cic., De Orat. III, 12, 44);

Emendata erit (pronuntiatio)... si nulla rusticitas neque peregrinitas resonet (Quint., Inst. Orat., XI, 3, 30).

Curioso é que esses dois mestres da latinidade eram também “peregrini in urbe”, como, aliás, a maioria dos escritores latinos. Compreendemos as razões de Marouzeau ao englobar peregrinismos e rusticismos na denominação genérica de particularidades regionais, já que

la vie provinciale est essentiellement rurale, et qu’en particulier les défauts les plus sensibles sont ceux qui se manifestent dans le voisinage de Rome, au sein d’une population de campagnards (ibidem, p. 10).

Esse entendimento, aliás, justificaria a pertinência de uma oposição urbanitas x rusticitas/peregrinitas. Mas o fato mesmo de os latinos terem distinguido rusticitas de peregrinistas (o rusticus é o camponês, o homem habituado ao trabalho duro do campo, de onde o sentido de “grosseiro, rude, selvagem”; o peregrinus é o estrangeiro, o provincial; o rusticus não é sentido como uma pessoa “de fora” em Roma e sim como um homem que não tem hábitos urbanos)

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