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CONSIDERAÇÕES SOBRE A PEREGRINATIO AETHERIAE

Trata-se agora dos vários registros do mesmo emissor; na correspondência familiar, o uso culto informal ou coloquial (sermo cotidianus); nos discursos, o uso culto formal ou refletido (subtilius, ornatius) com intuito literário.

Que sentido teriam essas denominações no orador tão zeloso de seu mister, do homem culto que tantas vezes criticou, por “errados”, os desvios da urbanitas?

Parecem sinônimas as expressões plebeius sermo, cotidiana verba, ille noster familiaris sermo (notar o valor expressivo dos pronomes: “aquela nossa velha, conhecida linguagem familiar”), “vulgaris sermo”.

Aliás, Maurer (cf. também Väänänen, 1963, p. 4-5) já notara equivalência de sentido de sermo quotidianus e sermo uulgaris em Quintiliano (Ins. Orat., XII, 10,40):

ad hoc quidam nullam esse naturalem putant eloquentiam, nisi quae sit quotidiano sermoni simillima quo cum amicis, coniugibus, liberis servis loquamur;

nam mihi aliam quandam videtur habere naturam sermo vulgaris, aliam viri eloquentis oratio (Maurer, 1962, p. 95).

Maurer traduz:

Além disto, entendem alguns que a eloqüência nunca é natural, a não ser que seja muito semelhante à linguagem quotidiana, a qual usamos ao falar com os amigos, com a esposa, com os filhos e com os escravos;

Com efeito, a natureza da linguagem comum parece-me diferente da do discurso de um orador.

É evidente que o grande orador não escrevia suas cartas informais como o povo falava. Nem falava com os íntimos

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