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CONSIDERAÇÕES SOBRE A PEREGRINATIO AETHERIAE

como o homem inculto. As expressões plebeius sermo, cotidiana verba, familiaris sermo, vulgaris sermo, parece-nos, referem-se fundamentalmente à língua falada da comunicação diária, um tanto descuidada, espontânea, próxima da língua em que todos se entendiam (“cum amicis, coniugibus, liberis, servis loquamur”), porém não rigorosamente a língua vulgar.

Penso que os atestados aqui transcritos justificam uma conhecida triconomia: sermo urbanus, entendendo como língua basicamente escrita, literária; sermo familiaris (cotidianus), como a língua basicamente falada pelas pessoas cultas e sermo vulgaris (plebeius), língua falada pelo povo.

Com alterações de nomenclatura, é a posição de Sedgwick ao examinar a latinidade da Cena Trimalchionis: “Literary Latin”, “Colloquial Latin” e “Sermo plebeius”, variantes que o autor confronta com oito “languages” do inglês (Sedgwick, 1964p. 17-18).

Evidentemente o homem culto não se despoja de sua bagagem cultural quando fala. O inculto, por sua vez, num esforço de ascensão social, tende a imitar os mais cultos dentro de seus reduzidos recursos lingüísticos, o que se agrava ao escrever, porque, de fato, a língua escrita lhe impõe uma atitude mais formal.

Tem-se dito que entre língua falada e língua escrita há uma diferença de grau. A atividade lingüística do indivíduo se realiza, se atualiza com finalidades mais práticas para a pronta comunicação, ou mais refletidas para uma comunicação mais

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