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CONSIDERAÇÕES SOBRE A PEREGRINATIO AETHERIAE

distante que exigirá do leitor maior esforço de compreensão. Faltam aqui recursos lingüísticos ou extralingüísticos que facilitam o intercâmbio social. Mas é evidente que uma conversa pode ser extremamente formal, assim como um texto escrito pode ser extremamente informal.

Parece-nos, então, que a dominante no sermo urbanus é o formalismo; e no sermo familiaris, o informalismo. Daí que nessas distinções teóricas o sermo familiaris (entendido como língua informal das pessoas cultas) esteja muito próximo do sermo vulgaris (entendido como a língua oral, popular), sendo quase impossível distingui-los.4

Dissemos que a rusticitas e peregrinitas os romanos opunham urbanitas, que linguisticamente está bem conceituada por Varrão e Quintiliano:

incorrupta loquendi obseruatio secundum Romanam linguam (De Serm. Lat., I,1);

urbanitate significare uideo sermonem prae se ferentem in uerbis et sono et usu proprium quemdam gustum urbis (Inst. Orat., VI, 3, 17,);

illa est urbanitas, in qua nihil absonum, nihil agreste, nihil inconditum, nihil peregrinum (Inst. Orat., VI, 3, 107,);

Enfim: o ideal de correção lingüística era a língua das pessoas cultas de Roma. E na língua literária dois grandes modelos da latinidade antiga e medieval foram Cícero e Virgílio, autores que, à semelhança de César e Catulo e Horácio nem sempre evitaram vulgarismos.

4 Sobre dificuldades de se distinguirem fatos do sermo familiaris e do sermo vulgaris, ver Silva Neto, 1957, p. 27.

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