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CONSIDERAÇÕES SOBRE A PEREGRINATIO AETHERIAE

Desses empréstimos os mais importantes são os helenismos. Parece desnecessário comprovar a familiaridade dos romanos com o grego. O léxico atesta fartamente empréstimos antigos, que se fizeram por via oral e popular, e empréstimos mais recentes que vieram por via escrita, e, estes sim, revelam mais os traços do elemento importado ao trazer as marcas do cuidado da transcrição erudita.

Marouzeau lembra que enquanto

la langue savante transcrit correctament kratēr (crater), la langue populaire fait sur l’accusatif un nominatif cratera (ibidem, p. 129).

É o mesmo caso de ebdomada, ae (do acusativo grego hebdomáda) e absida (apsida), -ae (do acusativo grego apsída), atestados na Peregrinatio:

27,2: “singuli autem dies singularum ebdomadarum aguntur sic”.

28,1: “hi, qui faciunt ebdomadas...”

45,2: “alia die de quadragesimis id est qua inchoantur octo ebdomadae”.

46,5: ”retro in absida post altarium ponitur cathedra episcopo”.

Aquele impulso expressivo se manifesta na sabida e ressabida preferência da língua oral por derivados sufixais, formações prefixais, locuções e perífrases. Ao sintetismo do latim clássico é costume opor-se, com razão, o analitismo do latim vulgar, tendência que se generalizou no latim tardio e teve mais ampla receptividade no latim dos cristãos.

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