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PEDAGOGIA EM DEBATE ON LINE – TEXTOS   Livro Virtual

Nas últimas duas décadas vêm se construindo um novo paradigma cientifico nas ciências sociais, que considera os recursos naturais do planeta como finitos e sujeitos a sérias degradações. Isso significa estudar os processos sociais no contexto maior da biosfera, considerando-se que as práticas humanas deliberadas afetam o meio ambiente, e têm provocado efeitos negativos não previstos.

         A compreensão da trajetória de construção dos paradigmas analíticos das questões ambientais, constituem-se em mais um dos aspectos explicativos para a constituição da educação ambiental. Neste sentido, destaca-se o movimento de transformação dos paradigmas ao longo da história do homem e da sociedade, tendo como ponto de partida o paradigma dominante do século XVI ao XVII –  paradigma da religião. Tal enfoque legitimou as relações sociais e culturais européias, modificando-se o paradigma da nação, baseado no princípio de que cada Rei impõe a sua nação, chegando no paradigma econômico da sociedade atual, em que os interesses  do mercado globalizado, estão a serviço de um capitalismo que se tornou um modo de produção globalizado.

          SANTOS (2001, p. 41) considera que “vivemos numa sociedade intervalar, uma sociedade de transição paradigmática, vivendo simultaneamente excessos de determinismos e excessos de indeterminismos”. Para o autor, o paradigma da modernidade está baseado em dois modelos de conhecimento que devem estar articulados e em equilíbrio dinâmico: o conhecimento emancipação - a trajetória entre o colonialismo e a solidariedade - e o conhecimento regulação - a trajetória entre o caos e a ordem. A realização deste equilíbrio dinâmico, entre os dois modelos, foi confiada às três  lógicas de racionalidade: a  racionalidade moral-prática, a racionalidade estético-expressiva, e a racionalidade  cognitivo-instrumental.

Constata-se que nos últimos duzentos anos a racionalidade cognitivo-instrumental da ciência e da tecnologia  predominou sobre às demais.  Com isto, o conhecimento-regulação conquistou a primazia sobre o conhecimento-emancipação: a ordem transformou-se na forma  hegemônica  de  saber  e  o caos  na  forma  hegemônica  de  ignorância. Este desequilíbrio a favor do conhecimento-regulação permitiu  a  este ultimo recodificar o conhecimento-emancipação(SANTOS, 2001, p. 79).

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