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PEDAGOGIA EM DEBATE ON LINE – TEXTOS   Livro Virtual

estabelecer uma comparação entre o papel das políticas públicas de desenvolvimento tecnológico da produção e o da escola. Em outras palavras, trabalhamos com a hipótese que o paradigma da dualidade, nascido do positivismo clássico, ainda utilizado pelas políticas públicas de desenvolvimento tecnológico da produção, está presente na escola e que o resultado social é similar ao da produção. Na produção, a concepção dualista da realidade social, a qual ainda é aplicada pelas políticas públicas de desenvolvimento tecnológico, determina uma leitura irreal da realidade social, dicotomizando-a entre o errado e o correto, promovendo uma diferenciação entre o conhecimento correto e o não correto, o que leva a prática produtiva correta ou a não correta etc., sem o esforço da conjugação entre um e outro. Nas teorias da modernização, o conhecimento técnico dito moderno é materializado em novas técnicas utilizadas na produção. Este conjunto de novas técnicas confronta-se dualmente com o antigo, dizendo da necessidade da mudança de fatores de produção, isto é, faz-se necessário eliminar os conhecimentos ditos tradicionais para a implantação do conhecimento novo. Entendemos que esta leitura dualista da realidade social pode estar presente na escola e é a partir dela que se institui uma postura metodológica de repasse do saber socialmente produzido. Em outras palavras, a escola representa a instituição que passa o conhecimento novo, tido como o verdadeiro, em detrimento de outros tantos advindos das diferenças sociais.

Entendemos ainda que a postura dualista utilizada no repasse a diferentes segmentos sociais do conhecimento socialmente produzido, quer seja na escola ou na produção, determina o aparecimento de um processo de troca de agentes sociais entre os ditos “aptos” e os “não aptos” para lidar com o conhecimento novo. Este resultado das políticas sociais de socialização do conhecimento está diretamente associado à premissa da indiferenciação, buscando a promoção de um processo de homogeneização. Mas essa homogeneização, feita pelas políticas públicas de desenvolvimento tecnológico, vem acompanhada por um processo de competitividade/seletividade entre os agentes sociais (ou classes) resultando finalmente, na eliminação dos agentes sociais que entrarem nesta dinâmica em condições diferenciadas.

A discussão sobre o papel da homogeneização na escola está bastante esgotada na área da pedagogia e da política educacional, mas a resgatamos aqui porque entendemos que ela, nesta análise, se apresenta com uma feição ampliada. A homogeneização é utilizada como parâmetro e como meta, na escola e no processo de alteração da base técnica de produção. No processo do ensino e da aprendizagem,

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