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PEDAGOGIA EM DEBATE ON LINE – TEXTOS   Livro Virtual

(Santos, 1995: 13). Trata-se de uma racionalidade instrumental concorrencial, para a qual o mercado é o princípio de auto-regulação da esfera econômica e social.

Atualmente, a sociedade assume como padrão referencial um tipo específico de racionalidade exigindo que os sujeitos sociais, para que sejam considerados iguais se apresentem imbuídos desta racionalidade específica. A universalização de um padrão tecnológico, de hábitos culturais e de consumo passa a se constituir em um padrão referencial de racionalidade e de elementos indispensáveis para a expansão da produção econômica e a conquista de novos mercados consumidores e de matéria-prima Essa racionalidade tem um trato todo especial com as desigualdades, não no sentido de as respeitar como tais, mas na perspectiva da homogeneização (Boneti, 1988b).

Por mais escamoteada que se apresenta esta nova configuração social dos nossos dias, não consegue esconder a dimensão de classe que a sustenta. Neste sentido, a verdadeira compreensão desta nova configuração social está mesmo na base da teoria de Marx. Trata-se de uma sociedade de classe cujo movimento continua sendo as relações de produção, mas o capital abre espaço para o conhecimento. O conhecimento assume importância capital e é designado por interesses específicos da ordem da produção. Neste sentido entendemos que as políticas sociais do Estado “têm sua gênese e dinâmica determinadas pelas mudanças ocorridas na organização da produção e nas relações de poder que impulsionaram a redifinição das estratégias econômicas e políticos-sociais do Estado nas sociedades capitalistas no final do século passado” (Neves, 1994, p. 11-12).

A partir deste quadro que se configuram as atuais relações de produção, sociais e políticas, o repasse do saber socialmente produzido ao diferentes segmentos sociais, tanto no âmbito produção quanto na escola, objetiva construir uma homogeneidade entre os sujeitos sociais no sentido da absorção de um conhecimento padrão, tanto no nível quantitativo quanto no qualitativo. Mas a questão maior é que para a construção dessa homogeneidade, o procedimento metodológico do serviço público do repasse do saber técnico, tanto na produção quanto na escola, parte do pressuposto que os sujeitos sociais já são homogêneos. E é neste sentido que se estabelece uma diferenciação do que acontece com o processo da inovação tecnológica na produção e o repasse do saber na escola. Se na produção a apropriação do saber técnico exige que os sujeitos sociais tenham uma homogeneidade mínima em termos de uma racionalidade técnica e instrumental, na escola ampliam-se as exigências em torno de uma homogeneidade de

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