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PEDAGOGIA EM DEBATE ON LINE – TEXTOS   Livro Virtual

sujeito social, na qual as diferenças impeditivas para o processo da absorção do saber passam por um conjunto mais amplo de racionalidades, fazendo-se presente fatores mais gerais envolvendo traços culturais, padrão moral, crenças religiosas, etc.

As políticas públicas de desenvolvimento tecnológico na produção, assim como o procedimento utilizado na escola para o repasse do saber socialmente acumulado, objetiva trazer o sujeito social a uma homogeneidade, mas pressupõe que os sujeitos sociais são já homogêneos. Neste caso observa-se uma diferença no estabelecimento de um padrão homogêneo de sujeito social entre aquele que vai administrar, ele próprio, o meio de produção, com aquele que está na condição de candidato ao mercado de trabalho. No primeiro caso, pressupõe-se que os sujeitos sociais sejam imbuídos de uma racionalidade afinada com a acepção weberiana, a qual se pode entender, grosso modo, como hábitos, atitudes, procedimentos e utilização de tecnologias que resultem na acumulação de capital. Mas o padrão homogêneo para o mercado de trabalho é mais exigente. Trata-se da busca da excelência, como diz Goulejac (1994). A exigência da excelência, como padrão referencial, para os candidatos ao mundo do trabalho extrapola significativamente a aquisição de hábitos e atitudes do tipo instrumental, afinada com a acepção weberiana de racionalidade. Exige-se, além da competência técnica, um perfil de sujeito social homogêneo de conformidade com parâmetros culturais, de cor, de aparência, de crença religiosa, etc.

O complicador para este caso, e o que fundamentalmente justifica a nossa análise, trata-se da relação entre a excelência, que tem como fundamento um padrão homogêneo de comportamento e de conhecimento, e as diferenciações sociais de onde tem origem os sujeitos. A excelência é fundamentada sobre um padrão homogêneo. Trata-se de uma convenção que institui um “tipo ideal” de sujeito social dotado de um padrão específico de conhecimento técnico e de comportamento social afinado com o paradigma da utilidade. Mas as regras do jogo para a conquista da excelência são as mesmas da regra do mercado. A busca da excelência se encontra no mercado competitivo da oferta e da procura do conhecimento socialmente produzido. A excelência é medida tomando-se como parâmetro um padrão homogêneo de conhecimento técnico e de comportamento individual. Pressupõe-se que os sujeitos, oriundos de diferentes segmentos sociais, defrontam-se no mercado da aquisição e da venda da excelência de igual para igual.

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