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PEDAGOGIA EM DEBATE ON LINE – TEXTOS   Livro Virtual

(ainda não dicionarizada), cunhada, no Brasil, em 1986 (Kleiman, 1995).

Estado da Arte

Internacionalmente, os primeiros estudos sobre o impacto social da escrita voltavam-se para a comparação valorativa das modalidades falada e escrita de uma língua, apontando, na grande maioria das vezes, para a superioridade cultural dos povos que dominavam o sistema escrito. Como representativos desse momento há os estudos de Goody & Watt (1963), Havelock (1963) e Ong (1967). Tais autores conferem à escrita o enorme poder de promover a evolução social: desde a economia, a cultura e a visão de mundo de uma sociedade, até o incremento das habilidades cognitivas de cada sujeito individualmente.

O fim da década de 1970 e o início da década de 1980 marcaram uma mudança nas tendências dos trabalhos sobre a escrita. Scribner & Cole (1981) pesquisam uma comunidade que convive com três escritas diferentes: uma utilizada no ambiente doméstico; outra utilizada para fins religiosos; e uma terceira utilizada para assuntos comerciais e governamentais. A conclusão a que esses autores chegaram foi de que há fatores sociais, além dos psicológicos, que interferem no desempenho de atividades cognitivas. Surge, então, a partir desse estudo, uma nova perspectiva de análise nas futuras pesquisas. Estas buscarão examinar sob o ponto de vista social as questões que envolvem o ensino/aprendizagem e o uso da língua. Dentro desse mesmo enfoque temos autores como: Scollon & Scollon (1981), Heath (1983), Street (1984), tendo esses dois últimos um ponto de vista antropológico.

No início dos anos de 1990, os estudos do letramento tendem a se posicionar dentro de um enfoque ideológico (já contemplado nos escritos de Street, acima citado). Gee (1990), por exemplo, afirma que “qualquer visão de letramento é essencialmente política (no sentido de que envolve relações de ordem e poder entre as pessoas)” (p. 27).

No Brasil, o encaminhamento dos estudos de letramento teve praticamente a mesma seqüência, sendo que aqueles comparativos da oralidade e da escrita vieram pelo menos uma década depois. As demais tendências, no entanto, ocorreram contemporaneamente às discussões no âmbito internacional.

O mais significativo dos estudos do letramento no Brasil é, sem dúvidas, o de Paulo Freire, cuja extensa obra é um esforço constante em fazer com que, ao se

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