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PEDAGOGIA EM DEBATE ON LINE – TEXTOS   Livro Virtual

Tornar-se letrado é um processo que se inicia logo após a aprendizagem do código escrito, e que não se encerra, desde que o indivíduo se encontre exposto a demandas de letramento. Tornar-se letrado é um processo no qual o indivíduo se engaja mais, ou menos, de acordo com seu papel, seus interesses e suas necessidades na comunidade em que vive. Contudo, o fato de um indivíduo não necessitar do código escrito para interagir socialmente não significa de maneira alguma que ele seja menos inteligente do que aquele que faz uso da escrita, ou que ele seja incapaz de funcionar satisfatoriamente em seu meio social. Este é um dos mitos (Descardeci, 2001) sobre letramento predominantes no senso comum: o de se pensar que aquele que não faz uso do código escrito para se comunicar seja incapaz de raciocinar logicamente, de inferir informações ou de se expressar oralmente.

Outro mito muito comum, que de certa forma decorre do descrito acima, é o de se pensar que o adulto iletrado deva ser tratado como criança, porque ele pensa como criança. O exemplo mais marcante desse mito encontra-se nos livros didáticos para ensino de adultos. Estes, em sua maioria, reproduzem o modelo e a linguagem daqueles usados em cursos regulares de alfabetização e pós-alfabetização. Há que se considerar, contudo, que adultos que retornam à escola, ou que a procuram pela primeira vez, vêm de uma experiência de vida completamente diferente daquela das crianças, bem como com objetivos completamente distintos. O uso que eles fazem da linguagem em suas vidas também difere daquele das crianças. O modo como eles representam o mundo também é diferente.

Um terceiro mito sobre o letramento refere-se à crença de que a modalidade escrita de representação da mensagem seja superior a outras modalidades. É tendência comum em sociedades letradas se atribuir maior relevância à escrita do que a outros modos de representação. Contudo, o código escrito não pode ser entendido senão em relação com outros modos de representação da mensagem, tais como imagens, “layout” e recursos tipográficos (formato das letras). A escrita é um modo de representação que se combina com outros na composição da mensagem. Se pensarmos, por exemplo, em um cartão de Natal, vários modos de representação atuam conjuntamente para comunicarem a mensagem que este se propõe a comunicar: o formato do cartão, o conteúdo do texto escrito, a cor e o formato das letras, as imagens desenhadas, e até mesmo a cor diferente do envelope (que alguns cartões possuem), todos esses recursos são modos diferentes de representação combinados em uma mesma

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