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PEDAGOGIA EM DEBATE ON LINE – TEXTOS   Livro Virtual

mensagem. Não se pode dizer, por exemplo, que o código escrito que aparece na mensagem seja mais relevante do que a ilustração, ou mesmo que a mensagem seria a mesma se o formato e a cor das letras fosse outro. É nesse sentido que se argumenta hoje em dia contra o mito da superioridade do modo escrito sobre outros modos de representação da mensagem impressa.

Há que se ressaltar, contudo, que, como vivemos em sociedades letradas (umas mais do que outras), o domínio do código escrito faz-se necessário em vários contextos, isto é, para funcionarmos satisfatoriamente em variadas práticas sociais. São cada vez mais comuns as situações nas quais temos que preencher um formulário, ou mesmo um cupom para participarmos de um sorteio no supermercado; que temos que ler um folheto explicativo de uma doença e como preveni-la; e assim por diante. Portanto, é impossível negarmos que, de uma forma ou de outra, o código escrito perpassa nossas vidas de alguma maneira. Mas tem se tornado cada vez mais evidente os processos sociais de interação servem-se de uma combinação de modos de representação para a composição dos mais variados textos que passam por nossas mãos no dia-a-dia, integrando o conteúdo da mensagem.

Conclusão

O ensino sistematizado de Língua Portuguesa, tanto nas escolas de ensino fundamental e médio, como nos cursos de formação de professores na área, tem contribuído para a perpetuação dos mitos sobre o letramento apontados acima, ainda que em menor escala nos últimos dez anos ou um pouco mais. As teorias da semiótica social (Kress, 1993;  e Kress & van Leeuwen, 1996) e da análise crítica do discurso (Fairclough, 1992), que apontam para o re-pensar a composição de um texto em relação a outras formas de representação disponíveis além da escrita, são recentes, e poderiam contribuir para as mudanças necessárias nesse cenário.

Como todo processo, esse novo enfoque nos usos e funções sociais da escrita, bem como do papel do código escrito na formação do cidadão, requer tempo para começar a fazer parte das práticas envolvidas no ensino/aprendizagem de Língua Portuguesa. Devemos, contudo, repensar, enquanto educadores, o respeito a outros saberes, para que não participemos da exclusão social de indivíduos que, à sua maneira, têm a contribuir para a nossa coletividade, mesmo à margem do mundo letrado.

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