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O verso 32 anula toda a auto-suficiência do pecador. Aqui toda a obra da salvação e a sua continuidade dependem totalmente de Cristo, e de tudo o que em Cristo, o Pai tem para dar. A primazia e dignidade de Cristo são aqui colocadas em relevo para enfatizar a importância e qualidade de sua obra realizada por/em nós. A expressão “por nós” por si mesma é rica de significado. Ela pode se referir a: 1)conosco (vs.31); 2)em nosso lugar (vs. 32); 3)em nosso favor (vs. 34). Teologicamente, podemos dizer que Deus enviou Cristo para substituir-nos (em nosso lugar) realizando a redenção em nós (em nosso favor) para reconciliar-nos com o próprio Pai (conosco).

Se nada impediu o Pai de sacrificar o seu amado Filho por nós, nada impedirá o amor do Pai de agir em nosso favor. O cálice da ira de Deus foi derramado sobre Cristo. O Filho foi humilhado até a morte (Fp 2:6-8). Sofreu na cruz intensa e exaustivamente o Inferno, em nosso lugar. Por amor a nós, o Pai odiou o próprio Filho, não poupando castigá-lo para realizar o seu supremo propósito (Rm 8:28). Calvino afirma que “é uma notável e brilhante prova de seu inestimável amor, que o Pai não hesitou em entregar seu Filho para a nossa salvação”.9 A implicação disto é “porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas”. Cristo foi-nos dado como meio revelador do amor de Deus (Jo 1:14; 3:16; Hb 1:3). A obra realizada por Cristo, foi realizada em nosso favor, e em nosso lugar, como também uma dádiva graciosa para desfrutarmos (Rm 5:10). Se em Cristo, o Pai reconciliou-nos com Ele, perder-nos seria perder toda a obra do seu amado Filho.

Se fosse possível ao salvo cair da graça, após tão grande projeto realizado, quem seria o maior prejudicado? Talvez você pense: “ah! Claro que o pecador, pois iria sofrer no Inferno!” Engano seu! Para chegarmos a conclusão correta precisamos observar que “todas as coisas” envolve tudo o que Deus, nos amando, já decidiu nos dar desde a eternidade e realiza no tempo presente (Rm 8:28-30). Hendriksen observa

9 João Calvino, Exposição de Romanos (São Paulo, Ed. Paracletos, 1997), p. 300

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