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Diseño en Palermo. Encuentro Latinoamericano de Diseño.

A mulher, neste caso, não só tem o prazer de comprar um produto, mas de obter seu conceito, o conceito de desejo, de necessidade de sentir-se desejada, de ter-se como sujeito-objeto, de ser mulher e, ao mesmo tempo de comer, o ato de comer pelo ato de comprar9, necessidades vorazes, interligadas por um valor comum subliminar.

  • O

    produto que passa de simples peça de roupa, já não tem mais só a

intenção e propensão de proteger, assim como a necessidade de desejar e projetar-se como desejo, anseio para o público que o consome. Torna-se parte de uma vida do consumidor, a necessidade de proteção é a necessidade de primeiro plano, todavia, o uso de marketing específico para projeção do produto permite incrementar ao artigo um valor de primeiro plano superior até mesmo à mais básica necessidade de vestir- se: a necessidade de ter, de possuir, de possuir-se e ser possuído.

A lingerie veio a tornar-se um produto de libertação sexual, onde sua repressão do corpo, sua relação de dominação do homem para a mulher, inverteu-se com a simbologia que foi atravessando durante os séculos. De peça repressora do corpo, passou a produto libertador feminista; e de objeto moral do gosto machista, passou a artigo manipulador do desejo feminino. A forma da lingerie como produto foi moldado desde as revoluções sociais no mundo ocorridas nos séculos passados.

  • O

    século XIX, dissemos, se [sic] inicia sob o signo da

simplicidade. Nesse sentido já vinham se processando, desde

  • o

    século anterior [a este], um movimento que partiu talvez das

idéias de Rousseau10

e da influência das modas inglesas,

acentuando-se com a Revolução Francesa. As mulheres, abolindo os espartilhos, as anáguas, os saltos altos, puseram- se de camisola branca atada debaixo dos seios; e o vestido se tornou escasso e sem formas. É o apogeu do exibicionismo do corpo, explorado pelas caricaturas do tempo, onde a ventania cola à plástica libertada os tecidos extraordinariamente transparentes (SOUZA, 2005, pp. 61-62, grifo nosso).

As mulheres começaram sua libertação pelo signo que impuseram pela roupa de baixo. As peças opressoras foram gradativamente se pondo diante da revolução feminista que surgia: as peças de roupas femininas passaram a adequar-se

9 O ato de comer aqui é direcionado ao apelo sexual, ao mesmo tempo em que se utiliza da necessidade básica para explicar o sentido denotativo e interagir com o conotativo. Há uma dualidade exposta em que o ato de comer é absorvido pelo marketing. O processo mercadológico “aproveita-se” das duas formas de perceber o ato de comer: o apelo sexual e a necessidade básica.

10 Jean-Jacques Rousseau foi um filósofo suíço, importante estudioso que participou do Iluminismo (Ilustração ou Esclarecimento) – época referente a uma efervescência de intelectuais no Ocidente. As idéias de Rousseau citadas por Gilda de Mello e Souza referem-se aos estudos de liberdade em que ele acreditava que o ser humano na sua natureza poderia tomar decisões que satisfizesse seus instintos.

Actas de Diseño. Facultad de Diseño y Comunicación. Universidad de Palermo. ISSN 1850-2032

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