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Diseño en Palermo. Encuentro Latinoamericano de Diseño.

à liberdade social que a mulher almejava. Eram as mulheres que fabricavam e escolhiam suas roupas, elas faziam de tudo para agradar os homens, contudo, chegou a vez da libertação feminina. O seu poder de escolha e fabrico veio à tona e esse poder foi utilizado para a articulação da sua própria liberdade. A prisão não mais passaria a existir, pois seria substituída pela nova fase feminina de independência que estaria por vir. Esses foram os primeiros sinais de como a lingerie moldar-se-ia como produto de moda durante os séculos subseqüentes.

Eis em traços rápidos um apanhado da evolução da moda no século XIX. Mais do que nas épocas anteriores, ela afastou o grupo masculino do feminino, conferindo a cada um uma forma diferente, um conjunto diverso de tecidos e de cores, restrito para o homem, abundante para a mulher, exilando o primeiro numa existência sombria onde a beleza está ausente, enquanto afoga a segunda em fofos e laçarotes. Este mesmo panorama que nos é fornecido pela análise fria da moda, no livro do especialista ou na prancha do figurino, ressalta da pintura ou do romance do século XIX. ...................................................................................................... .................................. Idêntico antagonismo ressalta das descrições de modas feitas pelos cronistas e romancistas da época. Verdadeiros peritos em matéria de roupa feminina, [sic] comprazem-se em descrições detalhadas de mangas, decotes, roupões frouxos, numa verdadeira volúpia de posse à distância. Conhecem o nome das fazendas, a bela nomenclatura das cores, ajustando aos corpos, com a habilidade de modistas, fofos, apanhados e rendas [...] (SOUZA, 2005, pp. 71-72).

A moda no vestuário passou a diferençar-se entre homens e mulheres. E o que os homens usavam ficou restrito, escasso. A mulher adotou uma abundância que viria a tornar-se o jogo de imagens, o pavão ilustrado, ornamentado, que a mulher passou a vestir. O novo produto iria surgir dessa revolução: o afastamento entre as relações de signo que reformularia a concepção de homem e mulher ao ter a roupa, ao vestir o signo, a desenvolver novas modas e modos, um costume de idéias, um novo olhar, uma percepção diferenciada, oposta e conflitante, diferente, sendo aproximadas pelas necessidades que se completam. A roupa feminina passa a ser ressaltada, o ornato da renda agrega a imagem da delicadeza à figura da mulher, e a lingerie também passa a adotar seus valores de uso ao campo da nova simbologia adotada. Mesmo que de baixo, mesmo que escondida, ela viria para além do escondido, seria ao longo do tempo, a imagem da mulher livre e independente, a imagem da mulher nova, da mulher como sensação de independência de si para os outros. Paulatinamente, a peça de roupa era signo de feminilidade, de transgressão,

Actas de Diseño. Facultad de Diseño y Comunicación. Universidad de Palermo. ISSN 1850-2032

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