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 Percepção da insuficiência de sua formação e da ocorrência ... - page 10 / 10

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Ao contrário de identidade, a unidade não imbricaria na reiteração do mesmo e esta seria sustentada pela centralidade sempre ocupada pelo seu objeto de pesquisa: a sociedade civil na ordem burguesa.

Nesta unidade que seria o pensamento de Marx, podemos verificar, de 1843 a 1883, um crescente enriquecimento de temáticas, o abandono de diversas pistas de pesquisas e a exploração intensiva de outras.

RELAÇÃO ENTRE OS VÁRIOS MARXISMOS E A EDITORAÇÃO DAS OBRAS DE MARX

Abordando a necessidade de percebermos a existência de vários “marxismos” dentro da Tradição Marxista, José Paulo Netto comenta sobre a infeliz sorte editorial pela qual teria passado a produção literária marxiana. Afirma, ele, que obras importantes cunhadas por Marx não chegaram a ser lidas por pensadores fundamentais dentro do marxismo. Para exemplificar, o professor cita as datas de morte de alguns deles, como as de Rosa Luxemburgo e Plekhanov, ambas em 1919, a de Lênin, em 1924, e a de Gramsci, em 1937, comparando-as com a data de publicação dos Manuscritos de Kronach, que, ao acontecer apenas em 1927, teriam ficado fora do alcance daqueles que já haviam falecido e mesmo do filósofo italiano, que se encontrava detido nos cárceres fascistas de Mussolini. De maneira semelhante, estes estudiosos também não teriam tido a oportunidade de conhecer outros textos de fundamental importância para a compreensão do pensamento marxiano, como os Manuscritos Parisienses - os Manuscritos Filosóficos Econômicos de Paris -, escritos em 1844, além da Ideologia Alemã, concebida em 1846 por Marx e Engels, que só seriam publicados em 1952. Outros exemplos são os Manuscritos de 1857/1858 que só viriam a ser publicados em 1939 e 1941, em meio a uma realidade beligerante que dificultava ainda mais a sua análise. Assim, o professor conclui dizendo que os principais expoentes da Tradição Marxista não teriam conhecido textos fundantes do pensamento de Marx.

Ainda sobre a editoração da obra de Marx, José Paulo lembra-nos que os três grandes blocos de textos manuscritos pelo pensador entre 1857 e 1865 só seriam publicados muito posteriormente: o primeiro, concebido entre 1857 e 1858, só seria publicado entre 1939 e 1941; o segundo conjunto de textos fora desenvolvido entre 1961 a 1963 e o terceiro entre 1963 e 1965. A única obra resultante da elaboração destes três períodos de criação intelectual que fora publicada por Marx foi o primeiro volume de O Capital, em 1867, sendo que O Capital II só seria publicado por Engels, que organizou as notas de Marx, dois anos após a morte deste. O terceiro volume da obra teria demandado um trabalho maior de Engels devido às péssimas condições nas quais se encontrava o material, só sendo possível sua publicação em 1887. Dado o tamanho trabalho que foi empreendido por Engels na publicação do volume III de O Capital, ele é considerado pelo professor como um co-autor e não somente o editor. O professor cita a existência de um quarto volume, editado por uma outra pessoa, mas que ficara conhecido como História da Teoria das Mais Valias ou, segundo a tradução brasileira, Teoria da Mais Valia, enquanto ao conjunto dos três primeiros volumes de O Capital convencionou-se chamar, editorialmente, como O Capital: Análise da Teoria Política.

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