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 Percepção da insuficiência de sua formação e da ocorrência ... - page 3 / 10

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Justamente por não ter passado pelo processo clássico da Revolução Burguesa, o professor diz não  ser possível considerar a “Alemanha” como um Estado laico, e que era possuidor de uma burguesia débil. Diante de tal situação a ascensão de Frederico Guilherme IV ao trono trazia a expectativa de “laicização” e modernização do Estado, porém, tal perspectiva mostrou-se inverídica após sua posse. Guilherme não teria composto com nenhum setor da fraca burguesia alemã, mantendo as antigas características de relações, classificadas pelo professor como uma política retrograda e opressora no que tangia aos outros Estados germânicos. Os reflexos desta postura teriam chegado à Universidade de Berlim, onde o imperador elegera para reitor o filósofo Schelling. Este havia trabalhado, no início do século, com Hegel na crítica ao Idealismo Subjetivo de Kant, antes de dele se separar e lançar as bases do pensamento conhecido por Moderno Irracionalismo Alemão. Como Hegel dirigira a Universidade de Berlim até a sua morte, em 1831, o objetivo de Guilherme era varrer qualquer resquício de seu pensamento dentro da instituição, fazendo, por meio da posse de Schelling - de pensamento reacionário -, uma perseguição de todos aqueles professores que de alguma forma eram ligados ao pensamento Hegeliano. Diante deste quadro acadêmico, Marx teria visto a impossibilidade de trabalhar como professor naquela instituição.

Marx voltaria a Renânia e trabalharia primeiro como jornalista, depois como redator chefe, na cidade de Colônia, num jornal chamado A Gazeta Renana, que possuía uma plataforma liberal e era mantida pela incipiente burguesia local que, por meio dele, fazia ataques ao poder central prussiano.

PERCEPÇÃO DA INSUFICIÊNCIA DE SUA FORMAÇÃO E DA OCORRÊNCIA DE LUTAS DE CLASSES

Essa experiência fora valorosa a Marx sob dois aspectos: inicialmente, permitiu-lhe perceber a diferença existente entre o trabalho no jornal e aquele que desenvolvia na Academia, onde, o dinamismo do último lhe permitia um tempo relativamente grande para o estudo e a solução do problema que se lhe pusesse, enquanto o primeiro pedia soluções em curtíssimo tempo; e, também, fora no trabalho desenvolvido no jornal que Marx percebera que sua formação filosófica não seria suficiente para explicar as polêmicas político-econômicas que permeavam a sociedade alemã à época.

Sendo um democrata radical, Marx utilizava o jornal para desferir críticas ao absolutismo de Frederico Guilherme IV por meio de artigos que tratavam da liberdade de imprensa e o papel da censura. Temos acesso a estes textos que estão reunidos sob o título de Acerca da Liberdade de Imprensa. Os ataques de Marx eram bem-vistos pela burguesia até que tal situação a investiu de força suficiente para negociar com o poder central. Chegando a um termo que lhe pareceu favorável, a burguesia Renana cortou a emissão de recursos que disponibilizava para o funcionamento do jornal. Com base neste exemplo, o professor José Paulo classifica como “historicamente complicadas” as negociações tratadas com a burguesia. Seria, então, por meio de tal episódio, que Marx perceberia a ineficácia das idéias liberais na Alemanha e a debilidade de sua classe burguesa. Porém, a mais importante constatação decorrente fora a existência do conflito de classes. Em 1842, Marx ainda não tinha desenvolvido o conceito de “classes”.

SEU ENVOLVIMENTO COM A POLÍTICA

A inserção de Marx na luta política se inicia quando, na redação do jornal, fora obrigado a tomar partido em uma disputa que envolvia o poder monárquico e os camponeses alemães. Trata-se da promulgação de um decreto imperial que tachava

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