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 Percepção da insuficiência de sua formação e da ocorrência ... - page 4 / 10

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a tradicional retirada de lenha das florestas pelos trabalhadores com crime passível de punição. Ocorre que tal prática era legitimada por um direito consuetudinário, historicamente construído, uma vez que a lenha ali obtida era não só a condição primordial para a elaboração do alimento, mas, também, para a manutenção da existência por conta do aquecimento. Marx, fazendo uso do jornal, se coloca favoravelmente à posição dos camponeses por uma questão ética, mas logo percebeu que não conseguiria sustentar politicamente a defesa destes com base em argumentos ético-morais.

Este episódio marca a passagem de Marx de uma candidatura a professor de Filosofia para a condição de um intelectual que transita para uma vocação “sociocêntrica”. A política na qual Marx se insere a partir deste momento é aquela que, no sentido grego, promove a construção da polis, do espaço público, da afirmação da positividade da socialidade, diferente, portanto, segundo o professor, desta que é praticada na contemporaneidade.

VIAGEM PARA KRONACH E CONTATO COM A OBRA DE HEGEL

Sendo sabedor de que sua formação filosófica não daria conta para explicar a realidade que vivia, Marx se auto-exila fazendo uma viagem para Paris, cidade que ainda resguardava algumas liberdades individuais, uma vez que a Restauração, em 1830, não apagara as conquistas da Revolução de 1789. Tal viagem também fora motivada pela existência de um projeto, concebido em parceria com um liberal alemão chamado Arnold Ruge (1802 - 1880), de editar uma revista em Paris e remeter seus exemplares clandestinamente para a Alemanha, driblando a censura. A revista tinha como objetivo fazer a confluência entre o debate francês e a problemática alemã.

Antes de iniciar a viagem, ele se casa com uma jovem alemã de origem nobre, filha de um conselheiro imperial, chamada Jenny von Westphalen. Durante o trajeto, Marx e Jane permanecem em lua-de-mel em um balneário alemão chamado Kronach. Durante a viagem e sua estadia em Kronach, Marx iniciou estudos profundos sobre a história da Revolução Francesa e acerca daqueles aos quais hoje chamamos de pais da Teoria Política. Com o intuito de se municiar para poder compreender a realidade na qual se inseria, ele leu desde Machiavelle até Rousseau. Lendo, então, os teóricos políticos modernos, durante o traslado de um país para o outro, Marx se depara com um texto de Hegel que seria da maior importância para o desenvolvimento do seu pensamento posterior: A Filosofia do Direito (1821). Para José Paulo Neto, Hegel é o último grande pensador clássico da Filosofia alemã.

HEGEL E A RELAÇÃO ENTRE ESTADO E SOCIEDADE CIVIL

A problemática da qual se ocupa a Teoria Política, desde seu surgimento, é a relação entre Estado e sociedade civil. Para Hegel, seria a sociedade civil o reino da miséria física e moral. Esta sociedade civil estava associada, para ele, com a ordem burguesa, fundada num mercado sem limitações, qualificada como um caos que só tornar-se-ia o reino das realizações humanas na medida em que nela fosse introduzida uma racionalidade que a superasse. Esta racionalidade seria o Estado que, então, fundaria e organizaria a sociedade civil.

A ESQUERDA E A DIREITA HEGELIANAS

Desta obra e desta questão emerge a célebre determinação hegeliana de que o que é real é racional”, tornando-se, tal afirmação, a base para a divisão daqueles que acompanhavam o pensamento de Hegel em dois grandes grupos: a Esquerda

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