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 Percepção da insuficiência de sua formação e da ocorrência ... - page 5 / 10

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Hegeliana e a Direita Hegeliana. Para o último, o real, ou aquilo que existe, estaria conforme os imperativos da razão, sendo que sua contestação, portanto, seria irracional. Nota-se uma ideologia que suporta todo um conjunto de pensamento conservador. Para o primeiro, se o real é racional, ele poderia ser submetido à razão e, desta forma, seria passível de críticas. Percebe-se nesta interpretação segunda, uma legitimação para eventuais mudanças no status quo da sociedade alemã da época.

A INFLUÊNCIA DE FEUERBACH

O objetivo de Marx ao estudar Hegel, nos anos de 1942 e1943, e com ele “debater” seria, segundo o professor, compreender a relação existente entre o Estado alemão e sociedade civil. Mas esta leitura e debate estão balizados por uma influência recebida por Marx do pensamento de Ludwig Andreas Feuerbach (1804-1872) - crítico radical das idéias de Hegel. Em 1841, Feuerbach publica uma obra bastante polêmica intitulada A essência do Cristianismo, na qual trava combate com a noção de “alienação constitutiva”, que entendia existir na obra de Hegel. Tal noção afirmava que o “espírito” (Deus) teria entrado em contradição consigo mesmo deixando de ser harmônico, integrado, entrando em um processo de  autodilaceramento. Neste processo, o “espírito” se aliena de si próprio dando origem ao “mundo” e confrontando-se com este. Dentro deste confronto, “espírito” e “mundo” se modificam, alteram-se, negam-se originariamente, reconciliam-se e instauram uma nova realidade: o “espírito-mundo”. José Paulo afirma que este processo expressaria a tríade dialética hegeliana, onde a afirmação seria o espírito, a negação seria sua alienação no mundo, e a negação da negação, sua reconciliação com o mundo.

Feuerbach enxergaria nesta relação a consagração da idéia de Deus mas, para ele, de maneira invertida. O crítico afirma que não seria o “espírito” (Deus) quem cria o “mundo” (homens), mas os homens, que desconhecendo suas reais potencialidades, alienam-nas numa figura ideal que seria Deus. Então, para Feuerbach, Hegel opera uma mistificação quando coloca o “predicado” no lugar do “sujeito” e vice-versa.

Esta interpretação fascinaria Marx e todo um conjunto de jovens pensadores da década de 1840. Segundo o professor, Feuerbach e seu pensamento foram um imenso avanço na Alemanha da época, na medida em que ele executa uma crítica da religião no contexto de um Estado que ainda não era laico.

Fortemente influenciado por Feuerbach, Marx, lendo a Filosofia do Direito, constatou uma inversão, a seu ver, contida na obra de Hegel, no que respeita à relação entre o Estado e a sociedade civil. Não seria, para Marx, o Estado que fundaria a sociedade civil, mas esta que permitiria a compreensão daquele.

MANUSCRITOS DE KRONACH: PRIMEIRA CRÍTICA A HEGEL

É em Kronach, em 1843, neste “diálogo” com Hegel, por meio de extrações de partes da Filosofia do Direito e de anotações resultantes das reflexões sobre elas, que surge um manuscrito que ficaria conhecido com Manuscritos de Kronach ou a Primeira Crítica de Marx a Hegel; obra, esta, na qual ele faz uma crítica interna ao pensamento de Hegel, mas que, como explica o palestrante, não era destinada à publicação, tratando-se tão somente de material pessoal de estudo para seu auto-esclarecimento.

Os Manuscritos de Kronach recusam a solução hegeliana afirmando que, para se conhecer o Estado, faz-se necessária a compreensão da sociedade civil, e não o inverso, como está contido na Filosofia do Direito. Marx se depara, então, com um grande problema: como chegar a esta necessária compreensão da sociedade civil? Com quais instrumentos teóricos? Com qual arsenal de categorias?

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