X hits on this document

Word document

REFLEXÕES SOBRE A NOAS SUS 01/021 - page 8 / 29

71 views

0 shares

0 downloads

0 comments

8 / 29

Uma ampla revisão de evidência, realizada em 220 estudos que relacionam escala e qualidade, sugere que pode haver ganhos de qualidade com aumento de volume das atividades para alguns serviços mas que essas evidências são menos significativas quando se faz um ajuste do case-mix dos diferentes serviços (Sowden, Watt e Sheldon, 1997). Outros estudos encontraram uma relação entre resultados e o volume de atividades dos hospitais, mas não encontraram a mesma relação entre os resultados e o volume de médicos, sugerindo que o expertise da equipe cirúrgica é mais importante que a capacidade de cirurgiões individuais (McKee e Healy, 2000).

Essa busca por eficiência e qualidade tem levado ao incremento do tamanho das unidades de saúde, dentro de um movimento mais amplo de instituição de sistemas integrados de serviços de saúde (Mendes, 2001). E isso tem sido feito pelo processo de integração horizontal, ou seja, a integração de unidades de saúde que produzem serviços similares. Na prática, a integração horizontal, tem levado a fechamentos de unidades de saúde pequenas ou desnecessárias  e  à fusão ou joint ventures de unidades similares.  

No Reino Unido, bem como na maioria dos países ricos,  há uma crescente concentração de hospitais (Ferguson, Sheldon e Posnett, 1997). O incremento da escala dos hospitais, juntamente com uma racionalização das internações hospitalares, tem sido responsável por uma notável diminuição dos leitos por habitantes, em países da Europa Ocidental, nas duas últimas décadas (Edwards, Henshe e Werneke, 1998).

Um outro ponto que merece ser analisado, em termos de concentração de serviços de saúde, são as fusões de serviços. Nos Estados Unidos as  fusões hospitalares têm levado à instituição de grandes cadeias hospitalares; isso levou a que 300 grupos empresariais administrem 50% dos hospitais daquele país (Dowling, 1997). Algo semelhante ocorre no campo dos laboratórios de patologia clínica, onde um único laboratório, o Quest, faz 1 milhão de exames por dia e alcançando 50% desse mercado naquele país (Valor, 2001).

A necessidade de operar sistemas de serviços de saúde, com eficiência, efetividade e qualidade tem levado alguns estudiosos a propor uma escala mínima populacional para se organizar racionalmente esses sistemas. Só a partir de uma determinada base populacional, os sistemas de serviços de saúde poderiam operar com eficiência e qualidade e ratear adequadamente os riscos. Nesse sentido, Bengoa (2001) fala de uma escala mínima de 100.000 a 150.000 pessoas. Essa constatação está na base da proposição dos Sistemas Microrregionais de Serviços de Saúde (Mendes, 2001).

Diante dessas evidências, os sistemas de serviços de saúde, devem configurar-se em desenhos institucionais que combinem elementos de concentração e de dispersão.

Esses critérios de organização dos sistemas de serviços de saúde podem apresentar, entre si,     trade-offs. Muitas vezes um ganho eficiência e de efetividade, dado por uma maior escala dos serviços, pode ser acompanhado pelo exercício de poder monopólico, com conseqüente dano na responsabilização,  ou por dificuldades de acesso, especialmente de grupos mais vulneráveis da população. Por isso, o arranjo ótimo de um sistema de serviços de saúde deve procurar equilibrar esses diferentes critérios (Ferguson, Sheldon & Posnett. 1997).

O acesso aos serviços de saúde está em função de quatro variáveis: o custo de oportunidade da utilização dos serviços de saúde; a severidade percebida da condição que gera a necessidade de busca dos serviços; a efetividade esperada dos serviços de saúde; e a distância dos serviços de saúde. Outras condições sendo iguais, quanto maior o custo de oportunidade, menor a severidade da condição, menos clara a percepção da efetividade e maior a distância,  menor será o aceso aos

Document info
Document views71
Page views71
Page last viewedThu Dec 08 02:05:19 UTC 2016
Pages29
Paragraphs350
Words13561

Comments