X hits on this document

Word document

Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas ... - page 10 / 160

311 views

0 shares

0 downloads

0 comments

10 / 160

Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

A última questão é a única de opinião, no entanto, o aluno não explora seu conhecimento de mundo porque já está cansado. Isto é perceptível na atividade produzida por uma aluna da classe, a partir de material recolhido na sala de aula, observe:

06) No primeiro momento, o acaso colaborou para que o “adivinho” descobrisse os culpados e convencesse o rei de suas habilidades. E no segundo momento, você acha que o acaso também ajudou? Por quê? Troque idéias com os colegas de classe

R: Foi a esperteza do adivinho.

A resposta da aluna não é compatível com o que o que o enunciado pede. De qualquer forma, a resposta tem fundamento: o que contribuiu com o adivinho foi o acaso, num primeiro momento, mas para descobrir os ladrões, ele teve que pensar e usou sua “esperteza”. O que ocorre é que o enunciado é grande e solicita que o aluno reflita, faça um esforço intelectual muito maior do que nas questões iniciais e, ainda, elabore uma resposta muito mais organizada pelo fato de ter supostamente interagido com o seu colega.

Apesar de a inversão do processo de pré-leitura e de a questão opinativa ter vindo por último, a professora acertou ao trazer o texto e as questões impressas, porque, desta maneira, as crianças não precisam fazer exaustivamente cópias do quadro de giz, o que é - diga-se de passagem - um esforço quase sempre em vão e que só prejudica a disposição delas. A cópia pode ensinar muito, mas em um momento adequado e com objetivos específicos. Se o aluno, em período de alfabetização, for para a escola na expectativa de ter que copiar o texto do quadro para depois estudá-lo, não terá ânimo para fazer as atividades.

Considerações finais

A descaracterização de alguns passos no processo da leitura prejudicou os resultados do trabalho da Professora R com seus alunos, já que a inferência de informações pelos alunos ao texto (pré-leitura) e a apresentação de questões interpretativas escritas bem organizadas não contribuiriam para um aproveitamento mais efetivo. No tocante à mediação, observamos que, ao abrir espaço para as discussões, a professora poderia ter possibilitado muito mais que os alunos apresentassem fatos de sua vida cotidiana, porque também é possível aprender com a bagagem cultural dos outros colegas.

A ação entre sujeitos acontece e a oralidade está sendo explorada, contudo, no momento de registrar os resultados provenientes dessa interação no papel, o aluno não o faz por simples detalhes da prática docente que podem facilmente ser modificados, como no caso da inversão da ordem das perguntas interpretativas e do encaminhamento da pré-leitura. A dificuldade que os alunos encontram para expor suas idéias coerentemente na escrita, não pode ser ignorada, por isso seria interessante que a professora direcionasse melhor o que será discutido antes e depois da leitura. Antes da leitura viriam as questões que levantariam hipóteses (isso pode ser feito mesmo sem nenhuma figura). O fato de o aluno saber que o professor sente interesse sobre fatos da vida exterior à escola o estimula a prestar atenção no que virá a seguir. Depois da leitura, as questões escritas (ou orais) mudariam de direção, isto é, teriam um laço maior com o texto, para uma interpretação e apreensão de sentidos intertextuais, mas ainda não perderia a relação com o real pelo fato de que o aluno já internalizou que o discutido faz sentido em sua vida social e familiar

Document info
Document views311
Page views315
Page last viewedSat Dec 03 04:58:17 UTC 2016
Pages160
Paragraphs2338
Words79461

Comments