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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

Campo

Relação

Modo

Representação da ação social mediada pela linguagem enquanto prática social;

Determinação dos participantes envolvidos da interação mediada pela linguagem enquanto prática social;

Reconhecimento da organização coesiva e coerente da mensagem lingüístico-textual mediada pela linguagem enquanto prática social;

Quadro 1: As variáveis do contexto situacional com base em Halliday e Hasan, 1989.

Estruturas Sociais, Contexto e Gêneros do Discurso

        A linguagem em uso segue determinadas legitimações, isto é, as ações sociais mediadas pela linguagem nas diversas práticas sociais que são regulamentadas por diferentes estruturas da organização macroespacial da sociedade.

        Entender linguagem enquanto prática social passa ser compreender a relação bidirecional existente entre linguagem e estruturas sociais. Por meio do discurso, os indivíduos constroem, criam e recriam realidades, sofrendo as coerções da realidade circundante da qual se inserem (Fairclough, 1992; 1995). As diferentes escolhas léxico-gramaticais que os indivíduos utilizam em suas diversas atividades mediadas pela linguagem sofrem determinadas e específicas regulamentações de formação, oriundas de regras e recursos (Giddens, 1984) que constituem a estrutura social, determinando como as pessoas agem, se comunicam ou se comportam.  

        Conforme Giddens (1984; 2002) propõe, as estruturas sociais são constituídas e existem como resultado do uso que as pessoas fazem de regras e recursos. Com isso, podemos entender que regras são normas, as convenções e os significados através dos quais as pessoas se orientam ao compreender ou desempenhar ações sociais. Os recursos são as posses e as capacidades que as pessoas têm que lhes permitem exercer controle sobre o meio ambiente e sobre os outros indivíduos. As regras e recursos formam as estruturas porque se repetem no tempo e no espaço e criam esquemas de expectativas dentro dos quais as pessoas agem e se comportam ou utilizam a linguagem, por meio de formas tipificadas de uso social.

        Giddens (1984) discute que as regras se subdividem em elementos normativos e códigos de significação e os recursos em autoritativos e alocativos que, por sua vez, respectivamente, constituem as estruturas de legitimação, significação e de dominação e hegemonia. Meurer (2000, p.157) propõe que, “tipicamente, as estruturas de significação e legitimação são realizadas através de textos específicos –[gêneros]- que, por sua vez, refletem e reproduzem diferentes discursos”. O autor ainda retoma que “a sociedade em si constitui uma estrutura e os eventos sociais – incluindo os gêneros – constituem estruturas menores que tomam forma, são reproduzidas e/ou vão mudando paulatinamente, dentro da estrutura social”.

         As fundamentações da Teoria da Estruturação Social proposta por Giddens (1984) podem contribuir para compreendermos como se dá a ligação entre o texto e a sociedade, verificando, com isso, como nossas diversas escolhas de uso da linguagem são influenciadas por diferentes propriedades estruturantes da sociedade: regras e recursos.  

        As regras e recursos sociais moldam nossos desejos, visões e comportamentos, impondo determinados “rótulos” de identificação (Meurer, 2004), institucionalizando acepções de que temos que ser aquilo que é aceitável, regulamentado e autorizado pelos padrões da estrutura social. É importante atentarmos para a relevância de relacionar aspectos da estrutura social com a análise do discurso, buscando aliar uma teoria social

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