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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

alexandrinos e nos árabes. Como se vê, são investigações especificas das línguas numa dimensão de mudança no tempo.

No que tange à teoria da mudança da lingua, é interessante compreender que as línguas humanas não constituem realidades estáticas.Tal realidade não se apresenta para muitos dos falantes, de modo que não existe nestes uma consciência desse fenômeno em ação, pois, para eles, é como se a língua repousasse na sensação de uma permanência, a ponto de não atentarem para a mudança acontecendo de modo lento e contínuo. Acerca disso, vale se reportar a Coseriu (1979), quando afirma que se os indivíduos não assimilarem a mudança de alguma forma, a língua não mudará, o que passa ser impossível, pois este processo se dá em várias instâncias: fonético, morfológico, sintático e semântico e ainda no discursivo.

Faraco (1991) destaca alguns pontos relevantes para a questão da percepção da existência da mudança. Um deles é o da primazia da escrita. Nesta, as culturas operam-na como uma realidade mais estável da língua, em relação à língua falada, isto por suas propriedades, história e funções social, de maneira que dá sensação, ao usuário daquela modalidade, de que não ocorre mudança. Outro ponto é o da percepção desse processo. Veja-se que o falante, ao se deparar com termos que caíram em desuso pela ação do tempo, ou com textos escritos antigos, é que se dá conta da realidade da língua; ou ainda, quando se depara com textos que situam personagens de diferentes universos. Tais situações envolvem manifestações lingüísticas, de forma diferenciada, no tempo e nas adversidades sociais, deixando claro para esse usuário que existem mudanças, transformações da língua sob o efeito do tempo, da forma de estruturar uma ação situada na forma, na função e no sentido.

O problema da mudança não pode ser considerado casual, do tipo: a língua muda porque muda. Esta declaração obscurece a dinamicidade da esfera que a fomenta; a existência de falantes reais e sociais, de contextos sócio-históricos; e a diacronia que plasma a língua tornando-a heteróclita. Coseriu avalia a não-mudança. Para este, a língua que não muda é a lingua abstrata, hipotetizada, num sistema imanente e sincrônico, livre de fatores externos, consignada pela gramática e pelo dicionário. E a que mudança suscita formas (re)inovadoras da língua real, concreta e viva nas atividades sociais, de modo que constitui a esfera da comunicação. A verificação disso está na realidade histórica,  na cultura no social.

Ainda sobre a questão dessa  pseudocausalidade ou causalidade mecanicista da mudança, é preciso atentar para o fato de  que a língua é um fato social. Como tal, é multiforme, heteróclita, física, fisiológica, ativa, social e individual, de modo que não se pode imputar a ela modelos precisos. A mudança é um fenômeno que independe do querer ou do aceitar ou não tal procedimento, isto por parte de alguns indivíduos. Como um modelo multifacetado, é irrecusável a idéia de que há mudanças (des)ordenadas na estrutura. Como diz Lucchesi, as mudanças estão encaixadas na matriz de concomitantes extralingüísticos e nos lingüísticos das formas enunciadas e não no acaso.

Hora (2004) reflete a trajetória de algumas perspectivas teóricas que já antecederam os estudos vigentes da teoria da variação, como: o período clássico, os estudos dos neogramáticos, a perspectiva estruturalista do século XX, a gerativista; e destaca que o enfoque da lingüística até ali se centralizou na língua, enquanto sistema de signos bem definidos, sem considerar os aspectos variáveis inerentes à língua. Quanto à abordagem variacionista, o autor desdobra as considerações dos pesquisadores que se ocupa(ra)m com a questão: é importante  considerar os efeitos lingüísticos e sociais, ou ainda, os fatores lingüísticos e  extralingüísticos, os quais correlacionam com um processo de mudança em diferentes comunidades lingüísticas. Isso é o que fomenta os estudos da

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