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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

Reflexões racionalistas

Sylvio Costa Hillas22

Resumo: Este artigo, utilizando-se do método comparativo através de abordagem intertextual, objetiva demonstrar como a operacionalização do conceito de amor sob a ótica racionalista serve perfeitamente para analisar o texto ficcional de maneira a exibir suas qualidades artísticas; para tanto, servir-nos-emos de três romances como base de nossa análise: Amar – Verbo Intransitivo, de Mário de Andrade, A Moreninha de Joaquim Manuel de Macedo e A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães.

Palavras-chave: Racionalismo, amor, literatura.

Abstract: This article demonstrates how an elaborated conception of love can serve as an instrument for literary analysis through a comparative approach. Intertextuality defines the method of this work, it confronts two different ideas of love: Rationalist and  Irrationalist (sentimental) ones; the former, illustrated by Love – Intransitive Verb, by Mário de Andrade; the latter, by two fiction pieces The Brown-skinned Little Girl by Joaquim Manuel de Macedo and The Slave Isaura, by Bernardo Guimarães.

Key-words: Rationalism, Love, Literature.

I – Introdução

Com o objetivo de fazer uma crítica literária racional, é evidenciada a diferença entre textos literários dirigidos a um público mais sofisticado e aqueles, cuja proposta não é outra além de destinar-se a mero entretenimento.

O amor, instrumento de nossa apreciação crítica, divide-se em duas concepções: uma racionalista e outra irracionalista. No fundamento de ambas, utilizamos duas obras básicas: As Razões do Iluminismo, de Sérgio Paulo Rouanet e A Arte de Amar, de Erich Fromm, além de outras complementares.

Os romances, Amar – Verbo Intransitivo, de Mário de Andrade; A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo; e A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães, relacionam-se com essas concepçãoes; o primeiro, não considerado popular devido ao caráter de sua proposta, representa o Racionalismo; os dois últimos, retratam a concepção irracionalista, porque sentimentais.

Vulgarmente, entende-se o amor como um sentimento e não como um estado de espírito (o estado amoroso); como sentimento (Irracionalismo), ele é tomado de diferentes formas: uma loteria (um golpe de sorte), uma queda súbita conforme sugerida pela expressão inglesa “to fall in love”, ou de ser amado em primeiro lugar. Esta última forma de vivenciar o amor, traduzindo uma postura passiva apriorística, contrasta com a forma ativa vivenciada, inclusive, pelos escritores Barrocos. Considere-se a Oração de São Francisco, texto de domínio público representativo da estética barroca, e percebe-se a forma como seu autor anônimo trabalha com as vozes verbais, priorizando a voz ativa em detrimento da voz passiva: “Fazei com que eu procure mais consolar do que ser consolado, compreender do que ser compreendido, amar do que ser amado”. Ao final desta terceira parte, encontra-se a seguinte formulação: “Porque é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado …”. O autor anônimo continua ainda manipulando as vozes

22  Professor da rede pública municipal e estadual do Rio de Janeiro e mestre em Ciências da Literatura pela UFRJ.

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