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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

seguinte passagem:

A vida do ser humano não se restringe apenas ao âmbito dos verbos transitivos. Ela não se limita somente às atividades que têm algo por objeto. Eu percebo alguma coisa. Eu experimento alguma coisa, ou represento alguma coisa, eu quero alguma coisa, ou sinto alguma coisa, eu penso em alguma coisa. A vida do ser humano não consiste unicamente nisto ou em algo semelhante. (BUBER, Martin. Eu e Tu. São Paulo, Centauro Editora, 10ª edição, 2006. pág. 54.)

Entre a Fräulein e o garoto Carlos, a relação de amor estabelecida a partir do convívio é bem transitiva; pois, o garoto não lhe era indiferente; é o que consta à página 56: Segurava-o com doçura, se rindo. Ele deu aquele risinho curto”. Então percebe-se uma reciprocidade entre eles. Entretanto, de conformidade com Buber, existem duas categorias existenciais: a “experiência” (“mundo do isso”) e a “relação” (“mundo do tu”); nós temos experiência das coisas; mas, relacionamo-nos com os seres vivios, os quais não os temos.

Transitando pelos caminhos da subjetividade e da objetividade peculiar à burocracia, a Fräulein entra para exercer uma profissão, cujo objeto de trabalho pertence aos domínios do mundo do “tu” (esfera subjetiva) onde os sentimentos vivem livres.

A Literatura é a arte da palavra. Nisto, o amor encontra um ponto em comum com ela; pois, sendo uma forma de expressão (como a arte,  em geral; e a Literatura, em particular), sua aquisição é, também, uma questão de aprendizagem. A insistência em considerá-lo algo de manifestação espontânea (Irracionalismo) tem sido causa de incontáveis casos de frustrações, o que reforça sua condição artística. Defendendo essa idéia, Erich Fromm declara textualmente que…

Dificilmente haverá qualquer atividade, qualquer empreendimento que comece com tão tremendas esperanças e expectativas e que, contudo, fracasse com tanta regularidade, quanto o amor. Se isso se desse com qualquer outra atividade, todos estariam ansiosos por saber das razões do fracasso, por aprender como se poderia fazer melhor – ou então desistiriam de tal atividade. (FROMM, Erich. A Arte de Amar. Belo Horizonte, Editora Itatiaia Ltda, 1995. Pág. : 13.)

A idéia de existência humana como forma de arte (a arte de viver) encontra em Huberto Rohden, proponente da Filosofia Univérsica, um defensor bastante lúcido e alerta; ele é suficientemente convincente na defesa dessa idéia ao publicar seu interessante livro Filosofia da Arte. Huberto Rohden esclarece a relação entre filosofia e arte como uma questão de teoria fecundante (filosofia) e praxis realizadora (arte). Refere-se, também, à dualidade intelecto analítico e razão intuitiva; para explicá-la, conta a parábola das duas galinhas: a galinha analítica e a galinha intuitiva, ante o enigma do ovo e da vida em potencial; enquanto a primeira é intelectualmente cética, a segunda orienta-se pela lógica da síntese intuitiva. Para Rohden, o artista deve manifestar, na vida, a constituição cósmica (cosmética) do Universo, a fim de torná-la uma obra de arte; ela (sua vida) deve sintetizar a unidade e a diversidade; assim, estará longe da monotonia enfadonha e da dispersão caótica; no livro acima citado, ele resgata a noção de catarse ao discutir do que o homem deve ser purificado; e, também,  discute a questão da mímese da arte ante o problema de que  ela deva ou não fazer uma cópia da realidade (a arte é reprodutiva ou criativa?). Quem ama não imita ninguém, realiza-se plenamente em clima de completa autenticidade. Além disso, conceber o amor como arte implica em considerá-lo uma forma de expressão cultural.

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