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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

III – o racionalismo na vida

As reflexões, aqui, serão conduzidas pelo ensaio intitulado “O Novo Irracionalismo Brasileiro” da obra já mencionada de Sérgio Paulo Rouanet.

Embora pareça termos abandonado Mário de Andrade, seu romance (Amar – Verbo Intransitivo), o mundo ficcional da literatura, em verdade, desses lugares culturais não saímos e neles permaneceremos até o fim; pois, a narrativa do referido romance apresenta as mesmas condições sócio-econômicas mostradas no texto ensaístico de Rouanet como manifestações racionalistas que servem como ferramenta para denunciar a ação do Irracionalismo no Brasil.

Três são os aspectos focalizados em “O Novo Irracionalismo Brasileiro”: antiautoritarialismo, anticolonialismo e antielitismo; mesmo legítimos, apresentam quesitos que depõem contra eles; quanto ao primeiro, além de criticar a autoridade praticada por aqueles que exercem postos de mando, crítica sumamente legítima, posto que o autoritatismo carece de fundamento intelecto-moral, envolve também a autoridade racional em seu combate; o segundo ponto manifesta-se na xenofobia peculiar a um grupo social historicamente dependente do estrageiro seja como colônia, seja pelo domínio cultural de uma potência contra uma nação recém-liberta; então, tende-se a preterir toda a influência estrangeira. O terceiro e último aspecto procura mostrar uma disposição de criticar a alta cultura sob o pretexto de ser preconceituosa em relação à cultura popular.

Como esses aspectos irracionalistas se revelam no texto narrativo de Mário de Andrade? O anticolonialismo revela-se, por contraste, no fato de que Mário de Andrade escolhe uma alemã para introduzir o personagem Carlos Alberto Sousa Costa no mundo sofisticado, requintado e culto do amor elevado, espiritual (pág. 78.), o nosso autor modernista não tem constrangimento algum de mostrar a influência estrangeira, nada teme a respeito de ser considerado (como de fato não o é) defensor do colonialismo cultural. O  antielitismo surge, também por oposição, quando Mário enfatiza a cultura erudita;  em Amar – Verbo Intransitivo, não se faz referência alguma à cultura popular; afinal, é retratada a vida da classe média alta de um latifundiário paulista. O antiautoritarialismo está presente no fato da família Sousa Costa ocupar uma condição sócio-econômica elevada e lhe é natural exercer o poder econômico; o Sr. Sousa Costa poderia, perfeitamente, sustentar o discurso do “sabe com quem está falando?”.

Mário de Andrade submete-se a mais dois perigos assinalados por Rouanet; o primeiro, ao analisar o problema da linguagem; diz o seguinte:

Nossos “renovadores” poderiam aceitar sem dificuldade essa parte da teoria de Bernstein, argumentando que o fato de que a classe baixa brasileira usa um código diferente do usado pela classe alta não significa que um código é inferior ao outro: ambos servem adequadamente a seus fins comunicativos, são diferentes, mas funcionalmente equivalentes. (“O Novo Irracionalismo Brasileiro”. In: ROUANET, Sérgio Paulo. As Razões do Iluminismo. São Paulo, companhia das Letras, 1998. Pág. 137.)

Nesse perigo, Mário incorre ao pretender atingir aquilo que se chama identidade do povo brasileiro; então, fez ele um verdadeiro levantamento de todos os vícios de linguagem comuns no modo brasileiro de falar ( brasileirismos, regionalismos etc.), com esse estudo de campo no terreno da Lingüística, ele elabora suas narrativas: Macunaíma –

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