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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

um Herói sem nenhum Caráter e o romance ora em consideração. Porém, ele se sai bem; pois, como assevera Telê Porto Ancona Lopez:

Depois, entende-se que a linguagem aparentemente descabida está, de fato, sobrepondo indiretamente uma outra cena, uma outra realidade, a daqueles que não tiram fotografia familiar … O narrador de Amar – Verbo Intransitivo é, quanto à linguagem, um alter ego de Mário de Andrade: pesquisador, dono de sólida cultura, tentando ser solidário com a voz popular, unir as distâncias entre o popular e o erudito. (“Uma difícil conjugação”, por Telê Porto Ancona Lopez:. In: ANDRADE, Mário de. Amar – Verbo Intransitivo. Belo Horizonte, Editora Itatiaia Ltda, 17ª edição, 2002. Pág. : 33.)

O outro perigo refere-se à suposta incompatibilidade entre o popular e o erudito; a cultura adversa à erudita é a cultura de massa; é o próprio Rouanet quem reconhece textualmente: “Pois a alta cultura e a cultura popular são as duas metades de uma totalidade cindida, que só poderá recompor-se na linha de fuga de uma utopia tendencial”. (ROUANET, Sérgio Paulo. As Razões do Iluminismo. São Paulo, companhia das Letras, 1998. Pág. 130). Além de asseverar não serem mutuamente excludentes, o citado ensaísta ainda demonstra que elas são, não obstante opostas, complementares, formando uma síntese enriquecedora em especial do ponto de vista estético, como Mário de Andrade bem demonstra quando oferece ao público o seu magnífico  romance. Em Amar – Verbo Intransitivo, Mário transita entre o erudito e o popular, seja ao interpor termos, fragmentos de frase e poemas completos em alemão, seja ao transcrever os diálogos, registrando a forma falada do uso do Português em expressões como “inda”, “pra” etc. É nesta dialética que desenrola o drama da vida humana na terra; e, o amor, bem familiarizado com a estrutura dialética, prossegue em seu dinamismo.

IV – o irracionalismo na literatura

O romantismo retrata o que seu público se interessa. Isto é especialmente verdadeiro nos romances destinados ao entretenimento; dotados de mais história e menos estilo, os romances mercadológicos não incluem nos textos algo que exija interpretação maior. A trama é enriquecida com tudo para cativar a atenção e o interesse do leitor; bastante receptivo às emoções que suscita, o Romantismo, porém, cai no erro de considerar o amor como um sentimento, que – na verdade – é um estado de espírito, uma orientação íntima; e confundí-lo com paixão.

Em Amar – Verbo Intransitivo, o narrador comenta algo indicativo do Irracionalismo, e confirma Rouanet, que afirma … “Contra todos os antiintelectualismos, é preciso afirmar, enfaticamente, que a libertação dos oprimidos passa pelo desenvolvimento integral da sua capacidade cognitiva” (Op. Cit. Pág. : 140). Eis a transcrição textual do romance modernista em consideração:

Estes brasileiros?!... Uma preguiça de estudar!... qual de vocês seria capaz de decorar, que nem eu, página por página, o dicionário de Michaelis pra vir pra o Brasil? Não vê! Porém, quando careciam de saber, sabiam. Adivinhavam. Olhe agora: Que podia Carlos entender, se ignorava o sentido de muitas daquelas palavras? (ANDRADE, Mário de. Amar – Verbo Intransitivo. Belo Horizonte, Editora Itatiaia Ltda, 2002. Pág. : 74.)

Em A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, a burguesia brasileira também é retratada; mas, com outro olhar.  A história gira em torno de uma aposta, cujo objeto era

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