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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

Processar o sentido de um texto, ou entendê-lo como bem formado, requer a ativação de vários fatores, posto que a depreensão do sentido constitui-se à medida que a interação ocorre. Nesse ínterim, a capacidade do ser humano em utilizar a linguagem para referir-se ao mundo é de fundamental relevância para a tessitura textual. Nosso estudo, para tratar da referência, utiliza-se dos pressupostos de Mondada & Dubois (1995) que acreditam que a correspondência entre as palavras e as coisas não se dá por meio de uma ligação direta, ou seja, as estudiosas negam que exista um mundo autônomo já discretizado em objetos ou ‘entidades’ independentemente de qualquer sujeito que se refira a ele, mas elas consideram que a representação do mundo, via linguagem, deve ser encarada a partir dos contextos sócio-cognitivos que permeiam os participantes do processo comunicativo. Com isso, ao se pensar na referência, é impossível não considerá-la enquanto um processo, visto que a construção de sentidos se estabelecerá na interação.

A referência passa a ser considerada como o resultado da operação que realizamos quando, para designar, representar ou sugerir algo, usamos um termo ou criamos uma situação discursiva referencial com essa finalidade: as entidades designadas são vistas como objetos-de-discurso e não como objetos-de-mundo. (KOCH, 2003, p. 79)

Essa posição implica uma concepção de língua dinâmica cuja relação homem-mundo será mediada por sujeitos históricos e sociais em interação em que vigorará a construção e reconstrução de objetos-de-discurso (KOCH; MORATO; BENTES, 2005, p.8).

Dada a complexa relação entre linguagem, mundo e pensamento que a perspectiva interacionista e discursiva considera e que escolhemos para nortear nosso trabalho, trataremos mais especificamente da referenciação enquanto uma atividade discursiva que corrobora para a imbricada rede de relações não lineares que é estabelecida ao longo do texto por meio das marcas lingüísticas que, por sua vez, refletem as escolhas que os sujeitos realizam para atingir o seu objetivo comunicacional. Dentro desse paradigma, selecionamos os movimentos prospectivos que fazem parte do processamento textual para tentar identificar se as ocorrências catafóricas, na revista Veja, configuram-se na sua estrutura morfológica predominantemente por nomes –substantivos- ou pronomes e qual a implicação desse resultado para a tessitura do texto. Em outras palavras, buscamos evidenciar a configuração estrutural desses movimentos a partir do núcleo das expressões catafóricas.

É válido ressaltar que para procedermos a essa análise, primeiramente, partimos de uma concepção do que entendemos por catáfora e chegamos à conclusão de que este termo refere-se a todos os movimentos empreendidos no texto que obrigam o receptor textual a lançar um “olhar à frente” na busca pelo referente de uma expressão já posta. Essa noção será considerada apenas endoforicamente, ou seja, a partir dos constituintes materializados no texto ou co-texto.

Com a forma remissiva precedendo o referente, podemos constatar que essa relação vai ser calcada por um grau de dependência semântica, uma vez que o sentido, nesse processo, só será construído a partir da identificação de um elemento textual específico expresso no texto situado posteriormente à sua forma remissiva. Portanto, o entendimento será posto em função da relação semântica estabelecida entre marcas distintas expressas materialmente no texto. Vejamos um exemplo:

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