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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

Considerações finais

Verificamos ao longo da classificação morfológica das catáforas e remetendo à nossa atenção para o núcleo dessas expressões que os movimentos prospectivos, dentro da nossa proposta de pesquisa, apresentam-se em sua maioria com o núcleo composto por um substantivo. Isso nos leva a acreditar que tais movimentos têm por função, na maioria das vezes, condensar uma informação que será detalhada ao longo do texto de modo que essa condensação consegue reorganizar o que ainda será enunciado numa expressão cujo núcleo é um nome; por isso a pertinência de tratá-las como expressões nominais. Logo, nessa perspectiva, por meio da análise do nosso corpus, pudemos confirmar o critério que Francis ([1994] 2003: 201) postula para os rótulos: qualquer nome pode ser o nome nuclear de um rótulo desde que seja inespecífico e requeira realização lexical em seu contexto imediato, anterior ou posterior. Ou seja, a proposição só terá seu sentido completo se se levar em consideração o referente a posteriori da forma remissiva.

A lexicalização, nesse caso, refere-se, então, à capacidade que a expressão catafórica, entendida como rótulo prospectivo, tem em dizer ao leitor o que esperar, como no caso

(B) “O documentário (...) trata de um tema delicado e polêmico: o direito de as mulheres interroperem a gravidez de fetos sem cérebro.” (VEJA, 17 de maio/2006, p. 26).

Nessa ocorrência, o leitor é instigado a descobrir qual será o tema delicado e polêmico acerca do qual o documentário tratará, por isso, seu caráter inespecífico, cujo sentido se consumará adiante com o referente.

A partir dessa suspensão de sentido é que também podemos pensar na relação imbricada da catáfora com a complementaridade de sentido, uma vez que esse tipo de movimento prospectivo força o leitor, de certo modo, a prever o que será anunciado, criando expectativas que se consumarão ou não a partir do sentido de duas expressões: uma que antecede o referente (ponto de tensão do movimento catafórico) e outra que contém o referente (desfazimento da tensão).

Nesse processo de referenciação em que se tem uma expressão que propicia a ambiência de expectativa e cujo ponto de tensão nela reside, é pertinente pensar em identidade semântica das expressões, haja vista que o referente tem necessariamente que estabelecer um vínculo, seja ele de natureza sintática e/ou (principalmente) semântica, com a expressão que o antecede. E justamente nesse marco de início de expectativa é que a argumentação se evidencia, reforçando notoriamente o ponto de vista do produtor textual por meio da utilização de nomes que direcionam a significação coincidindo com o intuito sócio-discursivo do produtor textual.

Também é relevante pontuarmos a maior ocorrência, dentre os grupos nominais catafóricos, da expressão composta morfologicamente por artigo indefinido mais substantivo, o que reforça a hipótese da inespecificidade dos rótulos prospectivos cunhada por Francis ([1994] 2003).

Assim, podemos perceber que na revista Veja as expressões nominais catafóricas são compostas, em sua grande maioria, por núcleos nominais capazes de organizar o discurso de modo a pedir do leitor uma projeção na busca pelo sentido ou um preenchimento de lacuna semântica e, ao mesmo tempo, evidenciar uma orientação argumentativa que surge das escolhas dos modificadores, determinantes e, mais decisivamente, dos nomes que compõem o sintagma. Entendemos, dessa forma, que a

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