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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

RESENHA

BAGNO, Marcos. Preconceito lingüístico: o que é, como se faz. 26 ed. São Paulo: Edições Loyola, 2003. 186 p.                 

Daniel Pereira Alves

Graduando em Letras – UFJF – MG

Em Preconceito lingüístico – o que é, como se faz, Marcos Bagno apresenta a situação sociolingüística em que a variante brasileira do português e os seus respectivos falantes se encontram atualmente. Com um discurso notadamente politizado, o autor faz uma abordagem detalhada dos mitos e preconceitos que têm transformado a língua em um instrumento de dominação e exclusão, levando o leitor a refletir sobre até que ponto esse preconceito lingüístico não simboliza apenas mais uma face de um mal que há muito vigora na sociedade brasileira: o preconceito social.

Bagno chama a atenção, ainda, para uma concepção inaceitável que se firmou ao longo do tempo, que considera como sinônimo de língua a gramática normativa. Assim, o que deveria se apresentar apenas como uma tentativa de descrição da “norma padrão” da língua, impõe-se como sua única variante legítima, denotando um profundo descaso para com a diversidade lingüística no país.

Na primeira parte de sua obra, Bagno enumera oito dos principais mitos que se encontram arraigados na mente de um grande número de pessoas, acreditados e propagados não somente pelas camadas mais populares, como também por intelectuais renomados e por bons conhecedores da realidade social brasileira. Esse fato revela o quão difundidos e aceitos são determinados pensamentos, que têm como pano de fundo os mais variados preconceitos lingüísticos. Muitas vezes, esses preconceitos  passam despercebidos pela população, já habituada com frases do tipo: “Brasileiro não sabe Português”, porque “Português é muito difícil”.

É normal que as pessoas se deparem com esses tipos de afirmações e não demonstrem qualquer discordância, pelo contrário, muitas afirmariam veementemente não dominarem seu idioma, tamanha é a noção que se têm de língua vinculada à gramática normativa. Nessa concepção, alguém que não conheça todas as regras gramaticais, suas implicações e terminologias, não estaria apto a “dominar” sua língua materna, o que o autor deixa claro não ser verdade.

Esse tipo de crença, de que “é preciso saber gramática para falar e escrever bem”, quando analisada seriamente, mostra-se tão incoerente quanto o mito de que “as pessoas sem instrução falam tudo errado”. Nesse último caso, o que se verifica é um escapamento ao que o “triângulo escola-gramática-dicionário” considera correto. Também não se pode atribuir um “melhor português” a uma determinada região, porque a língua se adapta às necessidades comunicativas da comunidade que a utiliza, o que torna inconsistentes afirmações como “em Portugal ou no Maranhão, o português é melhor falado”. O autor ressalta, ainda, que a língua portuguesa falada no Brasil não apresenta a homogeneidade lingüística na qual muitos acreditam; Bagno desmente esse que ele considera o mais sério dos mitos, provando haver no Brasil uma enorme diversidade lingüística.

Após a análise desses mitos, o autor trata do principal mecanismo que os transmitem e perpetuam. Esse mecanismo se estrutura da seguinte forma: a gramática tradicional influencia a prática de ensino, que promove, por sua vez, o surgimento da indústria do livro didático, cujos autores, recorrendo à gramática tradicional, fecham o chamado “círculo vicioso do preconceito lingüístico”. Ainda dentro desse círculo, existe um outro elemento que muitas vezes não é percebido, ao qual Bagno chama de “comandos paragramaticas”. Representados por uma série de livros, manuais de redação, programas

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