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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

de rádio e televisão e com o respaldo de conhecidos nomes como Napoleão Mendes de Almeida, Arnaldo Niskier e Pasquale Cipro Neto, esses comandos que prometem sanar “dúvidas de português”, em vez de ajudar, só contribuem para a disseminação da idéia de que a língua portuguesa é difícil e muito mal utilizada pelos brasileiros.

Conhecendo, então, os principais mitos em relação à língua portuguesa, bem como seus meios de propagação, o autor propõe algumas medidas para que o preconceito lingüístico seja desconstruído. Essas medidas envolvem uma mudança de atitude por parte de cada usuário da língua, que deve, segundo ele, “elevar sua própria auto-estima lingüística” e tomar uma posição mais crítica e seletiva quanto aos comandos paragramaticais.

Ao professor cabe, também, construir seu próprio conhecimento gramatical, atualizando-se constantemente, além de rever certos conceitos, como a noção tradicional de erro que, muitas vezes, reduz a língua portuguesa à sua ortografia oficial, classificando um simples desvio ortográfico, como “erro de português”, o que do ponto de vista científico, só poderia ser cometido por alguém cuja língua materna não fosse o português. Outro fator importante nesse processo de “desconstrução” é admitir que toda língua está em constante evolução e, por isso, apresenta variações que devem ser respeitadas.

Por fim, Bagno revela sua indignação com mais um preconceito, do qual ele e todos os demais cientistas da linguagem são vítimas. Essa discriminação contra os lingüistas e a lingüística é demonstrada claramente por pessoas que pouco entendem do assunto e se arriscam em emitir opiniões sem qualquer base científica. Com essa atitude, incorrem em um erro comum a muitos que se julgam “defensores da língua”, que sem conhecer devidamente os objetos de estudo da lingüística e a sua real importância para a sociedade, levam a público afirmações que a reduzem a uma ciência sem utilidade, concebida em meio a “devaneios de idiotas e ociosos”, à qual caberia não só fixar inutilidades sobre a língua, mas deturpá-la.

Preconceito lingüístico – o que é, como se faz é, sem dúvida, uma obra de grande importância no cenário sociolingüístico brasileiro e que contribui em grande medida para o rompimento das barreiras que tanto distanciam a língua de seus usuários. Com uma linguagem clara, o autor torna acessível ao leitor argumentos indispensáveis para despertar a consciência da identidade e integridade lingüística de cada um. Por tratar a língua como um tema político, percebe-se um tom engajado ao longo da obra, denunciando os interesses econômicos e sociais envolvidos na manutenção do preconceito lingüístico.

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