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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

A Trajetória da Lingüística Textual: suas fases e concepções de texto

Camila Maria Corrêa Rocha

Mestranda em Estudos da Linguagem – UEL - PR

Resumo: Pretende-se, neste trabalho, fazer um estudo da perspectiva sócio-cognitivo interacionista de texto, que são os pressupostos da Linguística Textual propriamente dita, ou seja, a que se desenvolveu a partir da década de noventa e que perdura até os dias atuais. Para tal, faz-se necessário traçar um panorama histórico desta disciplina com vistas a observar sua evolução e comparar suas fases. Admite-se, assim, que houve diferentes concepções de texto e, consequentemente, de sujeito e linguagem que acompanharam a trajetória desta ciência e que foram influenciadas por ela.

Palavras-chave: lingüística textual; texto; sociocognitivismo-interacionista.

Abstract: In this paper, it is intended to study the socio-cognitive interacionist perspective of the text, which are the pressupositions of the so-called Textual Linguistic. It has been developed since the nineties until today. Because of this, it is necessary to outline a historical view of such science aiming to observing its evolution and comparing its phases. So, it is assumed that there were different conceptions of text and as a result different conceptions of subject and language which have followed this science journey and have been influenced by it.

Key-words: Textual Linguistic; text; socio-cognitive interacionist.

1. As fases da Lingüística Textual

Atualmente, propõe-se que o texto seja visto como uma unidade de sentido, como uma atividade finalisticamente orientada, na qual os sentidos são construídos pelos interlocutores na interação. Entretanto, nem sempre se teve esta visão de texto. A Lingüística Textual, ciência cujo objeto de estudo é o texto, percorreu uma longa trajetória, que foi marcada, de acordo com Koch (2004a, p.3), por três momentos: o período das análises interfrásticas, das gramáticas de texto e da lingüística textual propriamente dita (que acrescenta os componentes pragmático, cognitivo e sociocognitivo ao conceito de texto).

Na década de sessenta, período das análises interfrásticas, o texto era concebido como uma unidade estrutural, como uma seqüência de enunciados; enfocavam-se os elementos coesivos, considerados os responsáveis por atribuir coerência ao texto. Contudo, posteriormente, constatou-se que muitos textos poderiam ser compreendidos sem que fosse necessária a presença de tais elementos coesivos. Essa verificação levou a uma nova concepção de texto, a partir dos anos setenta: a que foi proposta pelas gramáticas textuais, segundo as quais, o texto passou a ser visto como uma unidade própria de sentido, como uma estrutura definida cuja competência, adquirida pelos interlocutores, dependeria do domínio de regras elaboradas por uma gramática de texto. Tiveram relevância, também, neste período, questões relativas à pragmática e ao contexto.

Esta concepção foi criticada, pois viu-se que o texto não poderia ter um padrão estrutural, não poderia ser pré-determinado, como se propôs, já que ele só se constrói na interação. Como conseqüência, surgiu uma outra visão de texto nos anos oitenta, para a

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