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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

qual, ele seria uma ação resultante de processos cognitivos. Entretanto, reconheceu-se que não se podia separar o texto do meio social no qual ele é construído, atribuindo somente aos processos cognitivos a função de construí-los, como o fizeram estudiosos desse período.

Nos anos noventa, com o sociocognitivismo--interacionista, o texto torna-se o lugar de interação; o contexto, por sua vez, passa a abarcar o entorno sócio-cultural e histórico comum, no qual os sujeitos constroem-se. Esta fase será melhor explicitada mais adiante por ser o foco do presente estudo.

2. A Lingüística Textual

A LT, tal como é conhecida atualmente, tem como objeto de estudo o texto e sua construção pelos participantes de um ato comunicativo, conforme expõe Galembeck (2005, p.68). Para Koch (1997a, p.139) o texto é:

[...] uma manifestação verbal, constituída de elementos lingüísticos de diversas ordens, selecionados e dispostos de acordo com as virtualidades que cada língua põe à disposição dos falantes, no curso de uma atividade verbal, de modo a facultar aos interactantes não apenas a produção de sentidos, como a fundear a própria interação como prática social.

Para Sitya (1995, p.65), a LT é uma ciência inter e pluridisciplinar, pelo fato de estar inserida em outros campos de conhecimento. Koch (2004a, p.9), nesta perspectiva, a vê como uma ciência integrativa de outras ciências tais como: a Retórica, a Estilística, a Teoria dos gêneros, a Teoria da argumentação, etc.

Entretanto, além da LT, a Análise do Discurso de linha francesa também tem o texto como objeto de estudo, embora sua preocupação seja, segundo Galembeck (2005, p.65), o sujeito da enunciação, visto como construtor de sentidos e situado em um dado momento sócio-histórico ideológico. Dijk (2002, p.9) ressalta, por outro lado, que o texto era, há mais de dois mil anos, o objeto de estudo da poética clássica em diversas tipologias como a poesia, o drama e os discursos jurídicos e políticos.

Fregonezi (1999, p.35) ressalta que a LT, assim como a Análise do Discurso, a Semântica Argumentativa e a Análise da Conversação tentaram abranger a linguagem em sua totalidade, expondo e discutindo questões até então não contempladas pelas teorias anteriores.

A LT começou a desenvolver-se, segundo Fávero e Koch (2005, p.11), na década de sessenta na Europa, mais especificamente na Alemanha. Já o termo lingüística textual, no sentido que lhe é atribuído atualmente, foi empregado pela primeira vez pelo autor Weinrich, em meados de 1966 e 1967. Para ele, toda lingüística é necessariamente de texto, conforme expõe Bentes (2006, p.245). Neste período, começou a surgir uma rica bibliografia sobre o assunto, conforme expõem Fávero e Koch (2005, p.11).

Seu surgimento deveu-se a uma oposição à Lingüística Estrutural saussureana, cujo postulado era a visão de língua como um código informativo. Contrária a esta visão, a LT procurou ultrapassar os limites da frase e reintroduziu os conceitos de sujeito e situação comunicativa esquecidos pelo Estruturalismo, como expõe Bentes (2006, p.245).

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