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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

3. A Lingüística Textual: sob uma perspectiva sociocognitivo-interacionista de texto

A LT propriamente dita surgiu como um questionamento às ciências cognitivistas clássicas pelo fato de estas separarem os fenômenos mentais dos fenômenos sociais, ou seja, os processos cognitivos que ocorrem na mente do indivíduo não estavam diretamente relacionados ao ambiente social no qual ele estava inserido, conforme expõe Koch (2004a, p.29). Caberia ao ambiente, simplesmente propor problemas para que se pudesse observar como as estratégias cognitivas eram ativadas para resolvê-los.

Tal questionamento se deu quando áreas como a Neurobiologia, a própria Lingüística e a Antropologia verificaram, em seus estudos, que muitos dos processos cognitivos estavam interligados a aspectos sociais, interacionais e culturais, segundo Koch (2004a, p.30): “mente e corpo não são duas entidades estanques”.

A LT, tal como é conhecida hoje, tem por objetivo, segundo Koch (apud BENTES, 2006, p.256), tratar o texto na sua não linearidade:

Proponho que se veja a Lingüística do Texto, mesmo que provisória e genericamente, como o estudo das operações lingüísticas e cognitivas reguladoras e controladoras da produção, construção, funcionamento e recepção de textos escritos ou orais. Seu tema abrange a coesão superficial ao nível dos constituintes lingüísticos, a coerência conceitual ao nível semântico e cognitivo e o sistema de pressuposições e implicações a nível pragmático da produção do sentido no plano das ações e intenções.

A cognição, nesta perspectiva, deve ser considerada um fenômeno situado, conforme Koch (2004a, p.31), e as ações verbais como uma atividade conjunta, na qual os interlocutores, por meio da linguagem, engajam-se nelas com atitudes finalisticamente orientadas: “[...] essas ações não são simples realizações autônomas de sujeitos livres e iguais. São ações que se desenrolam em contextos sociais, com finalidades sociais e com papéis distribuídos socialmente”.

A linguagem, nesta perspectiva, exerce a função de mediadora entre o mundo cognitivo e o mundo social; é por meio dela, que os sujeitos constroem-se socialmente no texto, como explica Koch (2004a, p.3).

O texto passa a ser visto como “um lugar de interação entre atores sociais e de construção interacional de sentidos” (KOCH, 2004a, p.12). Segundo Guimarães (1990, p.11), quando são mobilizados componentes cognitivos, discursivos, afetivos, sociológicos e culturais, o texto passa a existir num processo global de comunicação e de interação.

Para Koch (apud BENTES, 2006, p. 255), o texto é:

[...] uma manifestação verbal constituída de elementos lingüísticos selecionados e ordenados pelos falantes durante a atividade verbal, de modo a permitir aos parceiros, na interação, não apenas a depreensão de conteúdos semânticos, em decorrência da ativação de processos e estratégias de ordem cognitiva, como também a interação (ou atuação) de acordo com práticas socioculturais.

O leitor, por sua vez, já não é passivo, conforme expõe Koch (2004b, p.24), mas constrói sentido na interlocução na medida em que os interlocutores se constituem e são constituídos. Para tal constituição, eles mobilizam três tipos de informações, conforme expõe Dijk (2002, p.16): informações externas a eles, informações que o contexto oferece e

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