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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

processos cognitivos acontecem na sociedade e não exclusivamente nos indivíduos. Dentro dessa concepção sóciocognitivo-interacionista, o contexto passa a ser a própria interação, pois se constrói nela. Portanto, nas abordagens interacionistas, nas palavras de Koch (2004a, p.33):

[...] o texto passa a ser considerado o próprio lugar da interação e os interlocutores, sujeitos ativos que- dialogicamente- nele se constroem e por ele são construídos. A produção de linguagem constitui atividade interativa altamente complexa de produção de sentidos, que se realiza, evidentemente, com base nos elementos lingüísticos presentes na superfície textual e na sua forma de organização, mas que requer não apenas a mobilização de um vasto conjunto de saberes (enciclopédia), mas a sua reconstrução-e a dos próprios sujeitos-no momento da interação verbal.

A produção textual, de acordo com Koch (1997b, p.22), vista como uma atividade que envolve a motivação, a finalidade e a realização, adquire maior relevância neste período por ser um evento complexo que se dá por meio de processos e pela ativação de estratégias armazenadas na consciência humana com fins sociais: “trata-se de uma atividade consciente, criativa, que compreende o desenvolvimento de estratégias concretas de ação e a escolha de meios adequados à realização dos objetos”.

Quanto ao processamento textual, ele passa a ser visto, segundo Koch (1997a, p.139), como uma atividade de caráter lingüístico, mas principalmente sociocognitivo, no qual os interlocutores mobilizam sistemas de conhecimentos que têm acumulados na memória. Estes conhecimentos, ativados no processamento textual, são três: os conhecimentos lingüístico, enciclopédico e interacional.

O primeiro tipo de conhecimento, o lingüístico, compreende questões relativas à gramática e ao léxico Ele é responsável, segundo Koch (1997a, p.139), por selecionar o léxico adequado, pelo uso dos elementos coesivos e pela organização da superfície textual. Já o conhecimento enciclopédico, também chamado conhecimento de mundo, é aquele que está armazenado na memória de cada indivíduo. Ele pode ser, segundo Koch (1997a, p.140), declarativo, quando diz respeito a fatos do mundo, ou episódico, quando se refere aos modelos cognitivos adquiridos de experiências vividas. Kleiman (2004, p.26) conceitua os conhecimentos episódicos como os referentes extralingüísticos guardados na memória e que são ativados para a compreensão do texto.

O conhecimento sócio-interacional, por sua vez, é aquele voltado para as ações verbais, para as maneiras como se dá a interação por meio da linguagem. Fazem parte desse grupo, conforme ressalta Koch (1997a, p.140), os conhecimentos ilocucionais, comunicacionais, metacognitivos e superestruturais.

O conhecimento ilocucional, conforme expõe Koch (1997b, p.27), permite a inferência dos objetivos que um falante pretende atingir em determinado contexto comunicativo; o comunicacional, por sua vez, refere-se às normas comunicativas que perpassam as situações de comunicação; o conhecimento metacognitivo é usado pelos interlocutores para manter a formulação social e, por fim, o superestrutural refere-se aos modelos textuais globais que estão à disposição dos interlocutores.

Kleiman (2004, p.13) ressalta que é mediante a interação entre esses três tipos de conhecimentos com o conhecimento prévio que se constrói o sentido do texto.

Além de conhecimentos de ordens diversas, o processamento textual exige três estratégias realizadas pelos usuários da língua, simultaneamente, em vários níveis

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