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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

finalisticamente orientados, conforme expõe Koch (1997a, p.140): as estratégias cognitivas, textuais e sócio-interacionais. As primeiras correspondem à execução de um cálculo mental por parte dos interlocutores a partir de uma informação semântica dada. Bentes (2006, p.266) as denomina esquemas-conjunto de conhecimentos organizados na memória responsáveis por estabelecer hipóteses frente ao texto. São exemplos apontados por Koch (1997a, p.141), as inferências, no sentido de que o ouvinte ou leitor, a partir de uma informação explícita, constrói novas representações mentais implícitas no texto.

As estratégias textuais, por outro lado, são responsáveis pela reformulação do texto, a fim de facilitar a compreensão dos interlocutores, por organizar a informação, por reativar referentes no texto e por balancear as informações explícitas e implícitas, visto que não pode haver textos totalmente explícitos (Koch, 1997a, p.145).

As estratégias sócio-interacionais são, nas palavras de Koch (1997a, p.141), “as estratégias socioculturalmente determinadas que visam a estabelecer, manter e levar a bom termo uma interação verbal”. Compõem este grupo as estratégias de polidez, de negociação e de preservação da face, entre outras.

4. Considerações finais

Com este trabalho, pretendeu-se fazer um retrospecto da trajetória da LT por meio da exposição dos pressupostos da alguns autores sobre o tema. Foi possível observar que, desde seu surgimento até hoje, esta ciência percorreu um longo caminho, ampliando suas preocupações e modificando-se a cada nova fase de desenvolvimento, o que confirma a hipótese proposta inicialmente da existência de diferentes concepções de texto e, consequentemente, de sujeito e linguagem ao longo de sua trajetória. De uma disciplina cuja preocupação era, inicialmente, gramatical, nos períodos da análise interfrástica e da gramática textual, passou-se a acrescentar o componente pragmático à noção de texto e, posteriormente, a concepção sócio-cognitivo interacionista do mesmo.

Nesse sentido, as várias concepções de texto que acompanharam a LT ao longo de sua trajetória, levaram-na a assumir posturas teóricas diversas, no que concerne ao seu objeto de estudo. A nova concepção, portanto, considera o texto uma forma de cognição social que permite ao homem organizar cognitivamente o mundo, como o conceitua Koch (2001, p.20). Essa concepção situa a LT em um lugar para o qual convergem muitos caminhos, bem como o ponto de partida para muitos deles, e implica em que ela intensifique seu diálogo com a Filosofia da Linguagem, a Psicologia Cognitiva e Social, a Sociologia, a Antropologia, a Etnografia da Fala, as Ciências Cognitivas, para citar algumas disciplinas. Portanto, a LT “[...] torna-se, assim, cada vez mais, um domínio multi e transdisciplinar, em que se busca compreender e explicar esse objeto multifacetado que é o texto.

5. Referências

BENTES, Anna Christina. Lingüística textual. In: MUSSALIm, Fernanda; BENTES, Anna Christina. Introdução à lingüística: domínios e fronteiras. 6.ed. São Paulo, Cortez, 2006. p.245-287.

DIJK, Teun Adrianus van. Cognição, discurso e interação. 4.ed. São Paulo: Contexto, 2002.

FÁVERO, Leonor Lopes; KOCH, Ingedore Grunfeld Vilhaça. Lingüística textual: introdução. 7.ed. São Paulo: Cortez, 2005.

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