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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

Podemos dizer que não há sentido sem interpelação. Somos, constantemente, induzidos a indagar “O que isso quer dizer?” ou “O que isso representa para mim?” Portanto, diante de qualquer objeto simbólico, o sentido se apresenta como evidência, embora essa evidência para o sujeito está encoberta pelos processos sócio-ideológicos.

A AD, como se vê, desde sua origem, está caracterizada por um processo de ruptura com um modelo baseado no materialismo lingüístico, articulando-se com outras áreas das ciências humanas. E o sujeito, nesse contexto, é paradoxalmente constituído, pois é, ao mesmo tempo, fragmentado e disperso, livre e submisso. Por isso, ele (sujeito) pensa que, ao falar/escrever, está assumindo posições pessoais, quando, na verdade, está afetado ideológica e inconscientemente. A impossibilidade de completude da língua que se relaciona com a ordem do significante é capaz de produzir o equívoco, que é, justamente, onde a língua esbarra na história e no inconsciente. Conforme Orlandi, “[...] o homem (se) significa. Se o sentido e o sujeito poderiam ser os mesmos, no entanto escorregam, derivam para outros sentidos, para outras posições” (2001, p. 53). Estar exposto ao equívoco e à falha é próprio da singularidade constituinte de cada sujeito. Por isso, nas palavras de Mariani “o equívoco aponta para o que está além do controle do sujeito sendo, ao mesmo tempo, e em função mesmo de sua ausência, constitutivo dele” (1998, p. 92).

A incompletude e a falha fazem parte do funcionamento da linguagem, configurando o movimento dos sentidos e do sujeito, os quais, para a AD, se realizam na historicidade. Nessa relação entre o que se diz e o que se quer dizer surge a noção de esquecimento, que vai ter função essencial na compreensão da ilusão, constitutiva do sujeito do discurso. Segundo Pêcheux & Fuchs (1975), temos dois tipos de esquecimentos: o número um e o número dois. O primeiro, também chamado esquecimento ideológico, é o indício de que esse sujeito é dotado de inconsciente e acredita ser a fonte do sentido, quando, na realidade, ignora sentidos preexistentes. Esse esquecimento é estruturante, pois, no momento em que o sujeito esquece o que disse e diz novamente, constitui-se em sujeito, dando novo sentido ao já-dito que jamais será novamente dito. Por isso, diz-se, em AD, que sujeito e sentido constituem-se mutuamente. Nas palavras de Orlandi,

[...] é assim que suas palavras adquirem sentido, é assim que eles (os sujeitos) se significam retomando palavras já existentes como se elas se originassem neles e é assim que os sentidos e sujeitos estão sempre em movimento, significando sempre de muitas e variadas maneiras. Sempre as mesmas mas, ao mesmo tempo, sempre outras. (2001, p. 36).

Já, o segundo esquecimento é da ordem da enunciação, onde o sujeito, ao falar, supõe controlar seu dizer e ser livre em suas tomadas de posição. Mas este esquecimento é parcial, pois, muitas vezes, somos pegos recorrendo e realizando famílias parafrásticas para dizer novamente, tentando explicarmos o que queríamos dizer inicialmente. Logo, o sujeito retoma seu dizer pré ou conscientemente. As noções de esquecimento número um e número dois abordam aquilo que permite ao sujeito suportar seu assujeitamento. A AD, através dos processos discursivos, vai trabalhar essa ilusão que o sujeito carrega de ser origem, mostrando que nem a linguagem nem o sentido são transparentes, uma vez que o sujeito é afetado pela FD onde se inscreve, a qual determina também seu dizer.

O princípio fundamental da noção de sujeito na AD é que não há discurso sem sujeito e não há sujeito sem ideologia. Nessa linha de pensamento, Grigoletto resume o sujeito para a AD, dizendo que o sujeito

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