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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

qual produz a evidência de sentido de que, na vida, é preciso sempre recomeçar, fazer mudanças. Logo, a mudança deve ser tomada como inerente ao sujeito e sua condição de felicidade está condicionada a essa mudança. Esse slogan se repete não só em todas as páginas da campanha em análise, como também em outras campanhas da Tintas Coral, o que torna esse sentido evidente, ou seja, impõe-se um sentido como dominante, apagando outras possibilidades de interpretação. Eis o mecanismo de funcionamento da ideologia.

Nessa campanha, a mudança, no plano da materialidade lingüística, está relacionada desde ações e/ou desejos mais simples do cotidiano (fazer ginástica; comer melhor; ir ao dentista; terminar o tratamento; cortar doces, massas e frituras; comprar uma bicicleta; andar mais a pé; sair pra dançar; sair com os amigos; ficar mais em casa; fazer um check-up; arrumar o armário; ir ao cinema), passando por atitudes, desejos e/ou opções de ordem pessoal, financeiro-profissional (parar de fumar; emagrecer; trabalhar menos; não trabalhar; arranjar um trabalho; estudar inglês, espanhol, francês, italiano, alemão, japonês; aprender a dizer não; aprender a dizer sim; ganhar dinheiro; viajar mais; morar sozinho; morar com alguém; deixar de morar com alguém; trocar de carro; comprar um apartamento; mudar de emprego; mudar de escola) até desejos, opções/mudanças mais complexas (casar; casar de novo; casar de novo; ter um filho; mudar de vida). Independente do grau de complexidade do desejo, todos nós, sujeitos inseridos numa sociedade capitalista e determinados por uma forma-sujeito do capital, repetimos tais desejos a cada final de ano, não importando o que queremos mudar. O importante é mudar, pois mudar é bom, mudar faz parte da vida. E a mudança, nesse caso, só acontecerá se as cores da Tintas Coral fizerem parte dos diferentes momentos de sua vida: Uma cor para cada momento de sua vida.

No plano da materialidade não-lingüística, a imagem produz o sentido de que existe Uma cor para cada momento de sua vida. As várias páginas da campanha mostram diferentes fases que constituem o ciclo da vida: a infância, a adolescência, a escolha profissional, o namoro, o casamento e a chegada dos filhos. Percebemos, ao fazer uma leitura discursiva dessas imagens, que tais fases são pré-determinadas, impostas socialmente, ou seja, devem ser tomadas como condição para a aceitação e inserção social. O sentido que se quer evidenciar, a partir dessas imagens, é o de que o sujeito que não se identifica, ou melhor, não se enquadra em tais padrões sociais, está excluído da sociedade.  Por isso, a Tintas Coral já escolheu uma cor para cada momento de sua vida. Logo, a persuasão se constrói nessa campanha, a partir das relações de identificação do sujeito-consumidor com esses diferentes momentos da vida, os quais representam, por sua vez, os desejos que, ilusoriamente, preenchem a incompletude desse sujeito moderno na busca incessante pela felicidade.

As duas primeiras imagens retratam a infância através de uma menina de maiô e óculos de natação e de um menino sorridente. Associou-se a cor rosa à menininha e o azul ao menino, não só pelo fato de serem cores características do sexo feminino e masculino, padronizadas socialmente, mas também porque o rosa “abre” a campanha em virtude de ser considerada pela Tintas Coral a cor do ano 2007. O azul, por sua vez, simboliza a imaginação e a casualidade, tão comum às crianças.

Na página de cor laranja bem clara, encontra-se um casal de adolescentes bem despojados, o que se contrapõe ao gesto do garoto de dar um beijo na face da menina, que representa, ainda, a inocência e a ingenuidade próprias da infância. Pela expressão fisionômica, ambos parecem tímidos, no entanto, percebemos nessa imagem uma contradição, própria da adolescência, em querer romper com os padrões estabelecidos socialmente, representada pela forma como estão vestidos (unhas vermelhas, chinelos, um tênis bem extravagante, fitas nos tornozelos etc).

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