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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

suas aulas na perspectiva da interação com seus alunos.

A pesquisa foi desenvolvida junto ao Grupo de Pesquisa “Interação e escrita no ensino e aprendizagem” (UEM/CNPq- www.escrita.uem.br).

2. Leitura e pré-leitura

De acordo com Dell’Isola (1996), a leitura deve ser entendida como uma atividade de co-produção do texto, ou seja, uma atividade na qual o leitor busca, em sua bagagem sócio-cultural, informações para complementar e assim compreender o que está sendo lido. O leitor ser co-produtor do texto significa auxiliar com o seu conhecimento prévio ou conhecimento de mundo o preenchimento das lacunas – que todo texto traz – para compreender e interpretá-lo. Esta co-produção se dá a partir de relações com o próprio texto, com colegas de classe e com o professor. Sobre a leitura co-produtiva, a autora considera que

O texto é enunciação projetada pelo autor, continuada ad infinitum e perpetuada pelo leitor, um exercendo influência sobre o outro (...) Através do processo de interação sujeito/linguagem gerado pela leitura, o leitor será co-produtor do texto, completando-o com sua bagagem histórico-cultural . (1996, p.73)

Ao falar de co-produção, ela se refere a um processo no qual o professor participa da produção semântica textual tanto quanto o aluno e o próprio texto, todos na mesma proporção, em um diálogo que se caracteriza por ser flexível e polissêmico.

Na perspectiva interacionista, o professor, os colegas e o próprio texto são instrumentos no processo de leitura e os resultados provenientes da relação entre sujeitos e textos farão com que a leitura seja menos artificial e mais profícua. Se houver o fechamento do leque de possibilidades de interpretação, isto é, prevalecer só o ponto de vista – do professor, do livro didático, ou de um aluno – a co-produção de sentido do texto pode não ser benéfica tanto quanto deve ser. A proposta de leitura enquanto resultado de interação, parte do pressuposto de que o texto é passível de interpretações múltiplas e que é função do professor mediar as informações oriundas de uma esfera social mais ampla do aluno para possibilitar um elo com as informações presas ao texto para articular a polissemia1 em sala de aula. Isso se torna relevante porque, ao passo que é estabelecida uma relação entre o que há exterior ao ambiente escolar, com o que se aprende na escola, o aluno aprenderá  que fora da sala de aula também há a possibilidade de se fazer várias leituras sobre outros aspectos do cotidiano. Neste sentido, a escola cumpre com a sua função socializadora do saber ao permitir que elementos contextuais/pragmáticos se co-relacionem com elementos intertextuais.

Uma das atividades a serem desenvolvidas para o resgate de informações do mundo exterior do texto é o trabalho com a pré-leitura, que consiste em um recurso pelo qual o conhecimento prévio é trazido à tona para um choque com as novas informações, a fim de aprimorar e organizar o conhecimento para que a leitura a ser realizada não se torne uma atividade estática, de mera decodificação, mas sim um processo que se inicia na decodificação e que perpassa as outras etapas do processo de leitura.

1 A atribuição de sentido ao texto se dá em detrimento do que o leitor influi. Na sala de aula, temos vários leitores, cada um atribui sentido que suas particularidades permite.

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