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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

foi tomada como simples produto, mas como discurso, para o qual produzimos um gesto de interpretação.

O sujeito do discurso, para a AD, funciona pela ideologia e pelo inconsciente, uma vez que as palavras chegam a ele impregnadas de sentidos prontos, os quais já circulam no interdiscurso, na memória do dizer. E foi esse funcionamento da ideologia, que produz a evidência do sentido, pela categoria do sujeito, que procuramos observar na análise do discurso publicitário. Percebemos que, na campanha analisada, assim como, provavelmente, em outros textos publicitários, não há espaço para o sujeito-consumidor resistir, de modo que não se identifique com o sentido pré-determinado, com o modelo de vida perfeita que a sociedade projetou para ele.

Cabe ressaltar, no entanto, que esses sentidos não são pré-determinados por propriedades da língua, pois os sentidos do discurso, juntamente com o sujeito, estão em constante “movimento”, já que a relação desse sujeito com a língua se dá durante o gesto de interpretação. De acordo com Orlandi (1996, p. 27) “o sentido, para a AD, não está fixado a priori como essência das palavras, nem tampouco pode ser qualquer um: há a determinação histórica”.

Não há um sentido do qual derivam outros. Os sentidos ganham referências dependendo de sua relação com os sujeitos e com contexto histórico-social em que é utilizado. Portanto, nosso trabalho de analistas é o de interpretar efeitos de sentido por meio de um olhar leitor capaz de perceber na opacidade da língua a multiplicidade de sentidos. E nosso olhar leitor, no caso da publicidade analisada, produziu gestos de interpretação que mostraram como a ideologia está sempre presente e determina o sentido do texto publicitário. Além disso, verificamos que o sentido do texto publicitário só se produz na relação entre o dito e o não-dito, entre a imagem e a palavra, entre a materialidade lingüística e não-lingüística, não desconsiderando o sujeito-leitor nesse processo.

Referências bibliográficas

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VEJA. Ed. Abril, e. 1989, ano 39, nº 52, 30 de dezembro de 2006, p. 33, 35, 37, 39, 41, 43, 45.

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