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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

Grupos focais

De acordo com Duarte (2007), o uso da técnica de grupos focais consiste, de modo simplificado, na coleta de informações por meio de entrevistas conduzidas por um moderador a cerca de um tópico específico, em grupos de 6 a 12 participantes9.  Entretanto, esta técnica diferencia-se das entrevistas em grupos convencionais por não se tratar apenas de uma seqüência de perguntas e respostas.  Em um grupo focal, a interação entre seus participantes é uma característica central, uma vez que por meio das discussões em grupo, seus participantes podem rever suas opiniões e refazer suas afirmações enquanto expõem seus pontos de vista.

O papel do moderador é um outro ponto importante no uso da técnica de grupos focais, e que também a diferencia de outros tipos de entrevistas em grupo.  A ele, cabe suscitar discussões e conduzi-las para que ocorram da maneira mais natural possível.  A esse respeito, Duarte (2007) afirma que apesar de seguir um roteiro planejado previamente, o moderador deve promover as discussões de forma que os participantes debatam os temas propostos espontânea e naturalmente.  O moderador deve ter cuidado e habilidade para evitar que as questões sejam direcionadas individualmente e que as discussões fujam aos temas propostos.  E necessário, então, que ele conduza as discussões sem exercer qualquer tipo de controle sobre as opiniões dos participantes, evitando que suas crenças e opiniões pré-concebidas a respeito dos tópicos discutidos influenciem nos debates.

Ainda segundo Duarte (2007), as entrevistas devem ocorrer em um local tranqüilo, informal e reservado, em que não haja interrupções que estimulem o desvio da atenção.  Os participantes também devem estar dispostos espacialmente de forma a se verem uns aos outros.  Outro ponto relevante é a duração das entrevistas, que não devem durar menos de uma hora e mais do que duas horas para não desgastar e provocar o desinteresse dos participantes.

O uso de grupos focais como técnica de coleta de dados não é algo novo. Duarte (2007), Lunt & Livingstone (1993) e Easton et al. (2003), dentre outros, remontam seu surgimento a mais de 50 anos.  Entretanto, para Lunt & Livingstone (1993), o aumento na freqüência de uso a partir da década de 80 reflete a preferência pela adoção de métodos mais qualitativos em detrimento de métodos positivistas, especialmente em áreas como ciências sociais, marketing e ciências da informação.  Wellner (2003), em artigo sobre o uso de grupos focais em pesquisas de publicidade nos Estados Unidos, nos fornece uma amostra da representatividade dos grupos focais na área da publicidade.  Segundo ele, companhias publicitárias americanas gastaram cerca de 1,1 bilhões de dólares no ano de 2001 em pesquisas qualitativas que utilizavam grupos focais.

Greenbaum, 1998; Krueger & Casey, 2000; Morgan, 1997; apud Duarte (2007), consideram que a técnica de grupos focais pode ser utilizada em conjunto com estratégias quantitativas de três maneiras distintas:

9 Embora haja um consenso de que um grande número de participantes pode prejudicar o monitoramento do grupo pelo moderador, há controvérsias quanto aos números mínimo e  máximo ideal de participantes por  grupo focal.  Lunt & Livingstone (1993), por exemplo, sugerem no máximo 10 participantes. Já Easton et al.(2003) estabelecem como número ideal entre 7 e 12 participantes. Optamos, entretanto, por mencionar os números propostos por Duarte (2007), que apesar de sugerir de 6 a 12 participantes, reconhece a existência de tal divergência.

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