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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

a. Antes da aplicação da técnica quantitativa. Nesse caso, o objetivo do uso de grupos focais seria auxiliar o pesquisador a obter um conhecimento prévio de seu universo de pesquisa, permitindo que ele se familiarize com seu público-alvo a fim de fazer inferências bem focadas sobre a população a ser pesquisada em seguida, por meio de estudos quantitativos. Aqui a técnica de grupos focais serviria como uma preparação para a realização de uma pesquisa quantitativa.

b. Em conjunto com a aplicação de técnicas quantitativas para fazer a triangulação de diferentes técnicas para uma mesma questão de pesquisa. Neste caso o uso de grupos focais teria o mesmo grau de relevância que a coleta quantitativa de dados.

c. Posterior a aplicação de técnicas quantitativas como uma tentativa de se esclarecer questões que tenham ficado obscuras ou que tenham emergido na análise dos resultados da técnica quantitativa, buscando explicar qualitativamente como as pessoas consideram uma experiência, uma idéia ou um evento.

Para Lunt & Livingstone (1993), a visão de grupos focais como apenas um complemento de métodos quantitativos, tal como apresentada nos itens acima, reflete algumas das principais críticas feitas a essa técnica, elaboradas do ponto de vista das metodologias positivistas.  Dentro dessa ótica, estão afirmações como as de que grupos focais não permitem o estabelecimento de relações de causa e efeito, por não controlarem variáveis independentes; de que não permitem que sejam feitas inferências estatísticas e nem generalizações sobre as populações por que amostras muito pequenas são geralmente usadas; e que a confiabilidade dos resultados pode ser refutada, uma vez que se questiona a possibilidade do moderador assumir um papel neutro ao mediar as discussões do grupo. Com base nesses argumentos a utilização de grupos focais seria restrita aos estágios exploratórios iniciais da pesquisa, tais como a elaboração de questionários e levantamento de hipóteses, ou como auxiliar na interpretação de resultados predominantemente quantitativos.

Em contrapartida, os autores também apresentam pontos de vista que negam tais argumentos.  Segundo eles, a afirmação de que grupos focais não fornecem dados estatísticos significativos decorre de um problema prático: a falta de recursos.  Pesquisas que dispõe de grande quantidade de recursos financeiros podem ter um número maior de grupos focais que forneçam dados mais representativos da população em estudo, o que sanaria o problema.  Da mesma forma, a generalização dos dados pode ser confirmada por meio da triangulação com outros métodos de coleta de dados, não necessariamente quantitativos ou que subordinem o uso dos grupos focais.  As críticas quanto à confiabilidade dos resultados também são refutadas porque são feitas tendo como padrão para comparação os métodos quantitativos.  Como o uso de grupos focais consiste em uma estratégia qualitativa, essa crítica é um reflexo da visão positivista acerca das pesquisas em ciências sociais. Byers & Wicox, apud Easton et al.(2003) comentam que a preocupação de que os resultados poderiam ser diferentes com diferentes informantes, diferentes moderadores, ou mesmo em um contexto diferente é uma questão de validade que existe na maioria dos métodos de pesquisa qualitativos.  Ainda refutando a idéia de que os grupos focais seriam mais adequados se usados como complemento qualitativo de pesquisas quantitativas, Lunt & Livingstone (1993) listam diversas pesquisas centradas na utilização de grupos focais para atestar que eles podem ser um método de pesquisa individual, que enfatiza a natureza social da comunicação e não reduz a pesquisa científica social ao estudo do indivíduo.

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