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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

Grupos focais on-line

Os avanços tecnológicos ocorridos nos últimos anos, especialmente aqueles relacionados ao uso da Internet, têm motivado mudanças nas práticas sociais em diversos âmbitos, destacadamente no que diz respeito à interação social.  Presenciamos atualmente grande desenvolvimento e popularização da comunicação mediada por computador (CMC).  O uso de mensagens eletrônicas síncronas e assíncronas, de softwares que permitem a comunicação não apenas por textos, mas pelo o uso de sons e imagens, e a popularização de sites de relacionamento e grupos de discussão na internet que nos dão uma amostra de tais mudanças na forma como as pessoas interagem socialmente.  Acompanhando tais mudanças, existe cada vez mais uma tendência de que métodos de pesquisa tradicionais passem por reformulações para se adequarem a esse novo contexto.  

Quanto à técnica de grupos focais, Easton et al. (2003)  afirma que gradativamente grupos focais on-line estão substituindo o uso de grupos tradicionais.  Edmunds, 1999, apud Duarte (2007) apresenta vantagens do uso da Internet para a implementação dessa técnica ao afirmar que o ambiente virtual reduz os custos, permite a participação de respondentes espalhados geograficamente, bem como daqueles difíceis de se recrutar offline, além de proporcionar uma forma conveniente e confortável de participação. Além disso, o ambiente virtual permite o anonimato na participação da pesquisa, caso seja de interesse do respondente. Lunt & Livingstone (1993), por sua vez, apresentam como vantagem para o uso de grupos focais on-line o fato de que a tecnologia permite ao moderador manter um foco maior na mediação das discussões, sem ter que se preocupar com as gravações dos diálogos e anotações, já que as conversas ficam gravadas no banco de dados do software ou página que foram usados como ambiente virtual.  Nos grupos focais tradicionais, o fluxo dos diálogos e o volume das vozes nas gravações representam uma dificuldade a mais ao pesquisador no momento em que este deve transcrever os diálogos para posterior análise.

Contudo, por se tratar de uma modalidade de pesquisa relativamente nova, o uso de grupos focais on-line ainda é visto com ceticismo por parte de alguns.  Easton et al. (2003), por exemplo, afirmam que alguns proponentes dos grupos focais tradicionais sugerem que sejam desenvolvidas terminologias diferentes para lidar com grupos on-line, já que para eles, essa nova modalidade não tem vínculos diretos com a metodologia de grupos focais, consagrada em literatura específica.

Rezabek (2000), também lista algumas preocupações da academia quanto ao uso de grupos focais on-line.  Dentre elas estão o fato de que o uso de tais grupos requer que os participantes tenham acesso à Internet e um certo nível de habilidade para utilizar alguns recursos necessários para que a interação seja eficiente, tais como velocidade na digitação e conhecimentos sobre como alguns sites ou softwares que permitam interação on-line funcionam.  Outro problema é que a exigência de tais requisitos limita os participantes a um determinado grupo de pessoas, fato que pode fazer com que o grupo escolhido não seja representativo da população sob estudo.

Mais um questionamento é quanto a ausência das expressões faciais no ambiente on-line (Edumunds, 1999; apud Razabek, 2000).  Mesmo em grupos focais síncronos, em que o uso de uma web cam poderia possibilitar a visualização facial dos membros, não se pode descartar a probabilidade de que problemas com a velocidade da conexão on-line tornem esse recurso ineficiente.  A esse respeito, Duarte (2007), diz que:

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