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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

abrindo espaço para a análise dos mesmos. Por ser uma teoria de interpretação, busca compreender os sentidos produzidos a partir de diferentes funcionamentos discursivos.

Tendo em vista o fato de que o materialismo histórico encontra-se na base dos estudos da AD, no tópico a seguir tratamos de duas noções fundamentais para o entendimento dessa questão – ideologia e formação discursiva (FD).

Ideologia e a Formação Discursiva na AD

Conforme Cazarin (2005), em AD, a ideologia perpassa questões históricas e materializa-se pela estrutura da língua. Assim sendo, além de compreender os efeitos de sentido produzidos em determinado discurso, a AD também leva em conta a ideologia que sustenta a formação discursiva (FD) em que o sujeito enunciador está inscrito, visto que o discurso é atravessado pela ideologia que lhe é constitutiva. Essa autora escreve que: “uma formação discursiva reflete, por meio da linguagem, a ideologia que lhe subjaz e, em AD, é um conceito básico, fundamental na determinação dos processos de significação” (p. 27).

Salientamos que uma FD não é homogênea, tendo em vista que a mesma comporta outros dizeres O sentido construído por determinado enunciado vai depender do funcionamento discursivo do mesmo, da posição do sujeito enunciador, afetado pela FD em que seu discurso se inscreve.

Com o objetivo de compreender como esse sujeito, ao enunciar, aciona discursos-outros, no tópico a seguir tratamos das noções de sujeito e de interdiscurso.

Sujeito e interdiscurso

No caso da análise que desenvolvemos, o sujeito enunciador do DL enuncia a partir do lugar social representativo da posição-sujeito que agrega os saberes da Presidência da República. Cazarin (2005, p.200), a partir dos estudos de Orlandi (1993, p.90), escreve que

para entender como uma posição-sujeito funciona, é essencial levar em conta que a ideologia interfere na constituição dos sentidos e dos sujeitos. Assim, uma posição-sujeito não existe à priori - se produz justamente no momento da constituição dos efeitos de sentido, ou seja, se produz no momento em que o sujeito enunciador do discurso recorre ao já-dito, o ressignifica e significa.

A autora recém referida (2005, p. 32) também observa que: “Os processos discursivos não têm sua origem no sujeito, mas na FD com a qual o mesmo imaginariamente se identifica. O que regula seu dizer é a forma-sujeito da FD com a qual distintas posições de sujeito se relacionam de uma maneira particular, mas social”. Isso interessa à pesquisa ora desenvolvida, pois entendemos que o DL se inscreve em determinada posição-sujeito e é a partir dela que seu sujeito enunciador enuncia o que pode e o que não pode dizer a partir desse lugar.

Assim, as datas significativas de seus pronunciamentos também interferem no seu dizer. Se o sujeito enunciador estivesse pronunciando por ocasião de uma outra data, possivelmente não enunciaria do mesmo modo e, por conseguinte, o funcionamento do discurso seria outro.

A partir dessas questões, observamos que, ao enunciar, o Presidente recorre ao já-dito, ao interdiscurso para significar. Orlandi (1999), ao tratar do interdiscurso, o identifica com a memória discursiva e o entende como o modo pelo qual o sujeito se significa em dada situação discursiva. Segundo ela, “é o já-dito que sustenta o nosso dizer” (p.31-32).

A mesma autora também escreve que, em AD, a linguagem não é transparente. Ou seja, aquilo que dizemos é carregado de sentidos. Estes são constituídos por outros dizeres, com os quais nos identificamos e trazemos para o intradiscurso. Isso nos leva a entender que o sujeito enunciador “lança mão” de uns, e não de outros enunciados. Ocorre, então, pelo viés do esquecimento, a ilusão que o sujeito tem de acreditar ser o primeiro a dizer tal coisa.

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