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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

Nas seqüências discursivas que compõem o recorte discursivo 1, o “povo” ao qual o sujeito enunciador do DL faz referência são os trabalhadores. Ele rememora alguns fatos históricos ocorridos durante a sua atuação como dirigente sindical, na década de 1970/1980. Salienta que o “povo” foi perseguido pelo governo. Se acionarmos a memória discursiva, naquela época, predominava a ditadura militar no País, e então o governo proibia as greves. Os trabalhadores que insistissem em fazê-las sofriam conseqüências graves.

O efeito de sentido produzido para “povo” é o de povo trabalhador, povo que sofre, que é prejudicado, tanto em relação aos seus direitos trabalhistas quanto aos seus direitos de cidadão, tendo em vista as leis da ditadura. Ao enunciar, esse sujeito é afetado pela FD em que esteve inscrito naquela conjuntura histórico-social.

Em um dos dicionários pesquisados (Grande Enciclopédia Larousse Cultural, 1998) o item lexical “povo” está conceituado da seguinte forma:

Povo: 1(conjunto de pessoas) que vivem em sociedade. 2. que constituem uma nação. 3. Conjunto de indivíduos de uma mesma região, cidade, vila ou aldeia. 4. Conjunto de pessoas que não habitam o mesmo país, mas que estão ligadas por sua origem, ou por qualquer outro laço: o povo judeu. 5. Conjunto dos cidadãos de um país em relação aos governantes. 6. Conjunto de pessoas que pertencem à classe mais pobre, à classe operária ou à classe dos não proprietários (grifo nosso).

Se compararmos a definição acima com o referenciado pelo DL, através da representação política do item recém referido, podemos perceber que há uma relação de sentidos entre eles. O conceito grifado identifica-se com as seqüências discursivas desse recorte.

No nosso entendimento, as práticas sindicais do sujeito enunciador do DL, influenciaram na sua identificação política e mesmo que atualmente esteja inserido em outro contexto, isto é, na função enunciativa de Presidente da República, em seu discurso, materializam-se os ideais de então, pois, devido à sua trajetória sindical, identificou-se com os problemas, com as demandas e com os saberes ligados à classe trabalhadora.

Recorte discursivo 2: povo pobre ou humilde

O nosso ministro da educação, dom Cláudio, assumiu publicamente o compromisso de alfabetizar 20 milhões de pessoas analfabetas neste país. Não é qualquer coisa. E não é uma tarefa fácil... É bem possível que, em quatro anos, a gente não consiga fazer tudo o que se propôs a fazer. Mas eu duvido que em quatro anos alguém já terá feito, na história deste país, mais do que nós vamos fazer pelo povo pobre do Brasil (grifo nosso) (Fragmentos do Pronunciamento do Presidente Lula no dia 1º de maio de 2003, Missa em homenagem ao dia do Trabalhador, São Bernardo do Campo)

Um dos efeitos de sentido produzido nesse recorte é o de que um grande número de pessoas pobres são analfabetas e também pode nos remeter ao fato de que as pessoas pobres são excluídas da sociedade. Há que se levar em conta o fato de o sujeito enunciador do DL estar enunciando no Dia do Trabalho. No imaginário desse sujeito enunciador, está presente a idéia de que antes de seu governo não haviam investimentos suficientes em educação. É isso que seu discurso permite compreender. Na ilusão do sujeito, é seu governo que assume a responsabilidade com o “povo” pobre.

Ainda podemos compreender que o “povo” no DL, quando não se refere aos trabalhadores, refere-se a pessoas mais humildes. Pois, quando o sujeito enunciador afirma

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