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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

enunciador do DL está inscrito.

Através dessas análises, foi possível observar que, o sujeito enunciador do DL, pelo menos no discurso, ainda se identifica com uma formação discursiva voltada para os interesses dos trabalhadores, desde a época em que ele era diretor do sindicato. E, ao pronunciar, torna presentes fatos ocorridos, recorrendo ao interdiscurso (memória discursiva) e rememora o que já havia sido dito naquela época.

Nesse sentido, cabe lembrar que há uma data significativa atravessando o dizer do Presidente que talvez faça com que ele enuncie dessa maneira e não de outra. A historicidade e a memória discursiva entram em funcionamento quando esse sujeito enuncia para o público do 1º de maio (os trabalhadores).  

Por isso, é que se chega ao entendimento de que o DL transmite uma imagem que o seu Governo é defensor dos “pobres e dos trabalhadores”. Talvez, os interlocutores nem se dêem conta disso. A visão do Presidente, diante da sua nação, é que há uma parte da população que precisa ter prioridade. Nesse caso, é o “povo” que ele quer privilegiar. Ou seja, são as pessoas humildes, trabalhadoras e pobres com quem o sujeito enunciador do DL, no seu imaginário, tem o compromisso de dar oportunidades.

Nesse sentido, outro efeito que se produz depois de feita as análises, é o de que o sujeito enunciador só chegou lá por meio do voto. E aqui, mais uma vez o “povo” que o elegeu é tido como as pessoas trabalhadoras, sofredoras e que acreditam nesse sujeito enunciador.

O desenvolvimento das análises nos leva ao entendimento de que, os enunciados proferidos pelo sujeito enunciador do DL, estão inseridos em uma FD relacionada aos dizeres dos trabalhadores brasileiros. Embora o sujeito enunciador do DL esteja enunciando a partir da posição de Presidente da República, ele não deixa de enunciar de acordo com a FD em que está socialmente inscrito.

A partir disso, entendemos o DL como uma representação dos dizeres que agregam os saberes da classe trabalhadora, pois a posição ocupada pelo sujeito enunciador durante o período em que era dirigente sindical influenciou e influencia na constituição de sua identidade. Chegamos a esse entendimento pelo modo que o “povo” é referido/representado pelo sujeito enunciador do DL no processo discursivo em análise.

BIBLIOGRAFIA

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